A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República elegeu as manifestações do 7 de Setembro como o ponto de virada estratégico para a disputa eleitoral. Aliados do senador veem na recente crise envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro uma oportunidade para mobilizar a base e unificar o discurso sob as palavras de ordem “fora, Lula” e “fora, Moraes”.
A estratégia de mobilização nas ruas
A retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal, que detalha a relação entre Moraes e Vorcaro, serviu como combustível para a equipe de marketing da campanha. O episódio ocorreu a apenas seis dias dos atos programados para o feriado da Independência, oferecendo um novo mote para o engajamento de apoiadores. A pauta, segundo a cúpula da campanha, ajuda a ofuscar notícias negativas recentes, como as revelações sobre repasses financeiros para o filme Dark Horse, que trata da trajetória de Jair Bolsonaro.
A expectativa é que as manifestações sirvam para estancar a perda de fôlego observada em momentos anteriores da corrida eleitoral. A estratégia prevê atos descentralizados pelos estados durante a manhã, com o evento principal ocorrendo à tarde na avenida Paulista, em São Paulo, onde Flávio Bolsonaro marcará presença ao lado de lideranças aliadas. A participação do pastor Silas Malafaia, que ganhou novo peso após os desdobramentos envolvendo o STF, está confirmada como um dos pilares da mobilização religiosa.
Expectativas e números da disputa
Internamente, a campanha de Flávio Bolsonaro trabalha com trackings que indicam uma redução na distância para o presidente Lula (PT). A avaliação entre os aliados é de que o petista atingiu um teto de estabilidade, enquanto o senador teria espaço para crescer com o início oficial da propaganda eleitoral. O otimismo é reforçado pelo desempenho abaixo do esperado de candidaturas de centro, como as de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
Os dados públicos, contudo, trazem um cenário diferente. Segundo o agregador de pesquisas do JOTA, Lula mantém a liderança com 44% dos votos válidos, contra 38% de Flávio no primeiro turno. A pesquisa BTG/Nexus, divulgada em 31 de agosto, apontou uma oscilação de ambos, com o surgimento de Augusto Cury (Avante) como um fenômeno que superou a barreira dos 10% das intenções de voto.
O papel do vice no Nordeste
Para tentar avançar em redutos historicamente favoráveis ao PT, a campanha aposta na figura do vice, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). Com um perfil ligado ao combate ao crime organizado e histórico como ex-secretário de Segurança Pública, Gaspar foi escalado para intensificar viagens pelo Nordeste. O objetivo é utilizar sua trajetória para reduzir a rejeição ao senador na região.
O desafio, entretanto, permanece na resistência de lideranças locais. Candidatos de centro, mesmo aqueles que possuem o PL em suas coligações, têm evitado a nacionalização da disputa em seus estados. O caso de JHC (PSDB), em Alagoas, é emblemático, uma vez que o candidato ao governo optou por não participar das agendas de Flávio Bolsonaro durante sua passagem pelo estado, temendo o impacto negativo da associação direta em seus próprios números eleitorais.


