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Redes sociais para concurseiros e o perigo da comparação tóxica

Redes sociais para concurseiros e o perigo da comparação tóxica

Redes sociais para concurseiros e o perigo da comparação tóxica

Um concurseiro publica que estudou 12 horas líquidas. Outro mostra um simulado com 95% de acertos. Um terceiro anuncia que terminou o edital inteiro em apenas dois meses. Enquanto isso, você passou o dia trabalhando e conseguiu estudar duas horas.

Em poucos minutos de Instagram, aquela sensação de progresso pode desaparecer, dando lugar à impressão de que está ficando para trás. Esse é um dos principais riscos do uso de redes sociais na preparação para exames.

A armadilha da comparação nas redes sociais

As redes sociais mostram recortes da realidade. O candidato publica o cronograma cumprido, mas dificilmente mostra os dias improdutivos, as questões erradas ou as dificuldades enfrentadas. Consequentemente, quem acompanha esses conteúdos pode acabar comparando sua rotina completa com os melhores momentos da preparação de outra pessoa.

Um estudo brasileiro de Fagundes, Marot e Natividade (2020), com 625 participantes, identificou associações entre comparação social e autoestima no uso do Instagram. Além disso, Meurer e Costa (2024), ao pesquisarem estudantes brasileiros de Ciências Contábeis, observaram relações entre o acompanhamento de influenciadores e a orientação para comparação social.

Embora essas pesquisas não tenham investigado especificamente concurseiros, seus resultados ajudam a compreender um comportamento comum: a percepção de que todos estão avançando mais rápido do que você.

Aprenda a filtrar quem você segue

O primeiro passo para utilizar melhor as plataformas digitais é avaliar o efeito dos perfis que aparecem diariamente no seu feed. Um perfil oferece orientações práticas? Compartilha questões comentadas, métodos e informações confiáveis sobre editais? Ou seu conteúdo se resume a mostrar horas líquidas, pilhas de materiais e percentuais de acertos?

Perfis que oferecem conteúdo útil e estimulam uma preparação equilibrada merecem espaço. Entretanto, quando determinada conta provoca comparação excessiva, culpa ou ansiedade, silenciar suas publicações pode ser uma escolha saudável. Você pode admirar a disciplina de outro candidato sem precisar reproduzir a rotina dele.

Estabeleça limites para o consumo diário

Outro cuidado importante envolve o tempo dedicado às plataformas digitais. Muitos candidatos entram nas redes para verificar uma notícia sobre concurso e, quando percebem, passaram meia hora acompanhando vídeos sem relação com sua preparação.

Nesse sentido, estabelecer horários específicos pode ajudar. Uma alternativa é reservar pequenos períodos para acompanhar conteúdos educacionais, deixando notificações desativadas durante os blocos de estudo.

Naturalmente, você também pode utilizar redes sociais apenas para lazer. Nem todo momento livre precisa se transformar em estudo, especialmente quando o descanso ajuda a preservar o equilíbrio emocional.

Sua principal comparação deve ser com você mesmo

A comparação nas redes sociais pode distorcer a percepção sobre aquilo que realmente representa evolução. Um candidato que saiu de 55% para 75% de acertos está progredindo significativamente, mesmo que acompanhe alguém publicando resultados superiores a 90%.

Por isso, acompanhe indicadores próprios: percentual de acertos, matérias concluídas, erros recorrentes, revisões realizadas e desempenho nos simulados. Além disso, procure seguir professores, instituições e candidatos que compartilhem conhecimentos úteis, sem transformar o estudo em uma competição permanente de produtividade.