Relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) serviram como base para o ministro Alexandre de Moraes solicitar a abertura de uma investigação contra o ministro André Mendonça. Os documentos, que analisam a condução da relatoria do chamado caso Master, não possuem assinatura de um responsável específico e detalham o impacto das movimentações para os agentes da corporação.
Análise da postura da Advocacia-Geral da União
Um dos pontos centrais do documento da PF aborda a conduta da Advocacia-Geral da União (AGU), sob o comando de Jorge Messias. A corporação aponta que a AGU rejeitou pedidos para recorrer de decisões consideradas atípicas por parte de Mendonça. O relatório levanta a hipótese de que Messias teria agido para preservar sua relação política com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), com quem se aproximou durante a campanha para uma vaga na Corte, na qual acabou não sendo aprovado.
Interesses estratégicos e monitoramento
A Polícia Federal também sugere que a proximidade entre Mendonça e Messias poderia fazer parte de uma estratégia de recomposição de forças no STF, possivelmente ligada a discussões sobre uma eventual anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Embora a PF classifique essa possibilidade como de baixa probabilidade, o cenário foi suficiente para autorizar a coleta dirigida de informações.
Outro ponto de atenção envolve a determinação de Mendonça para que a PF identificasse, em um prazo de 72 horas, pessoas mencionadas em mensagens ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A ordem incluía a entrega da íntegra de comunicações de autoridades com foro privilegiado. Foi nesse contexto que surgiram informações sobre 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes, além de oito possíveis encontros entre eles.
Impacto nas investigações e competência do Plenário
O relatório da PF critica a amplitude da medida, classificando-a como um ato de investigação sem autorização específica e perante um juízo que, em relação a alguns dos citados, não teria competência. “É neste ponto — e apenas neste — que se concentra a avaliação de possível avanço sobre competência do Plenário”, aponta o texto.
A corporação também menciona que a investigação teria feito imputações genéricas contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O documento ainda destaca que o senador Davi Alcolumbre seria um “alvo estratégico” devido à sua influência política, ao favoritismo para a presidência do Senado e ao controle sobre a pauta da Casa, o que inclui o processamento de pedidos de impeachment contra ministros do STF.
Por fim, a PF alerta para “riscos consolidados”, afirmando que as atitudes de Mendonça podem gerar a nulidade de processos por contaminação da fonte probatória e suspeição, além do ingresso nos autos de peças sem a devida validação legal. Leia a íntegra do relatório da PF.
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