Pular para o conteúdo
Saúde digital: o potencial inexplorado para transformar o atendimento no SUS

Saúde digital: o potencial inexplorado para transformar o atendimento no SUS

Saúde digital: o potencial inexplorado para transformar o atendimento no SUS

O Brasil possui um sistema de saúde desenhado para ser universal, abrangendo desde as regiões mais remotas da Amazônia até as densas periferias urbanas. No entanto, o desafio de garantir que esse direito constitucional chegue efetivamente a cada cidadão permanece latente. Entre subfinanciamento, distâncias geográficas e desigualdades históricas, a saúde digital surge como uma aliada estratégica para otimizar o acesso e a qualidade do cuidado em tempo oportuno.

Embora o país tenha acumulado décadas de experiência em sistemas de informação, foi o cenário imposto pela pandemia de covid-19 que acelerou a digitalização. Atualmente, 97% das Unidades Básicas de Saúde (UBS) já operam com prontuário eletrônico. Além disso, a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), plataforma fundamental para a interoperabilidade, expandiu sua integração de 11% para 51% das unidades em apenas quatro anos. Esses números refletem um amadurecimento que permite ao SUS projetar investimentos mais assertivos.

Conectar para coordenar: a saúde digital como infraestrutura transversal

O desafio atual transcende a simples compra de equipamentos. A tecnologia precisa ser incorporada de forma estrutural e sustentável. Levar conexão sem garantir a viabilidade de uma teleconsulta, ou digitalizar atendimentos sem que os dados sejam compartilhados entre diferentes pontos da rede, é um erro de estratégia. A verdadeira transformação ocorre quando a informação acompanha o paciente, independentemente de onde ele seja atendido.

A conectividade ainda apresenta gargalos. Embora 95% das unidades possuam acesso à internet, apenas 65% consideram a qualidade adequada, e pouco mais da metade dispõe de infraestrutura suficiente para webconferências. O Novo PAC tem destinado recursos para mitigar essas falhas, mas a integração dos dados clínicos continua sendo o ponto mais complexo, dependendo menos de verbas e mais de organização institucional.

Para que a saúde digital cumpra seu papel, é necessário avançar na interoperabilidade, permitindo que sistemas distintos conversem entre si por meio de padrões clínicos unificados. A implementação de protocolos nacionais de teleconsulta e telediagnóstico é outro passo essencial para ampliar a resolubilidade da atenção primária e reduzir as filas de espera por especialistas, como já ocorre no programa Agora Tem Especialistas.

O sucesso dessa jornada depende de uma governança nacional articulada, que ofereça financiamento estável para estados e municípios. A proposta contida na Agenda Mais SUS 2027–2030 reforça que a tecnologia não deve ser um fim em si mesma, mas um meio para integrar práticas e superar as fronteiras que hoje limitam o histórico do paciente. Ao consolidar a saúde digital como infraestrutura, o sistema ganha capacidade de chegar a quem mais precisa, reduzindo o tempo de espera e humanizando o atendimento.