A Semana de Moda de Milão iniciou suas atividades nesta terça-feira, 22, trazendo um cenário de expectativas renovadas para a indústria global de luxo. Em um momento marcado por desafios macroeconômicos e uma desaceleração no mercado chinês, o evento surge como um termômetro para a resiliência do setor, que busca equilibrar tradição e inovação sob a pressão de um mercado em constante transformação.
Expectativas e estreias nas passarelas italianas
O calendário desta edição é um dos mais aguardados, com destaque para a estreia da dupla Loris Messina e Simone Rizzo à frente da Moschino. Conhecidos pelo trabalho urbano na marca Sunnei, os estilistas assumem o desafio de imprimir uma nova identidade à grife. Paralelamente, o público acompanha a segunda coleção de Demna para a Gucci e a continuidade do trabalho de Maria Grazia Chiuri na Fendi, nomes que centralizam as atenções em meio a um ciclo de mudanças de direção criativa em diversas casas de moda.
Segundo Carlo Capasa, presidente da Câmara Nacional da Moda Italiana, o setor tem demonstrado uma capacidade notável de adaptação. Embora o início de 2026 tenha apresentado dificuldades operacionais, as projeções indicam uma recuperação gradual, com o segmento de cosméticos em alta e o setor de vestuário mostrando sinais de estabilização. A expectativa é de uma queda moderada nas receitas anuais, na ordem de 1,6%, um resultado considerado positivo diante do cenário global atual.
Investimentos em infraestrutura e expansão
Além dos desfiles, Milão reafirma seu papel como epicentro do luxo com investimentos robustos em infraestrutura física. A Prada inaugurou uma nova loja-conceito na histórica Galleria Vittorio Emanuele II, expandindo sua presença com galerias subterrâneas e espaços culturais. O movimento reflete uma tendência de grupos como a LVMH, que tem apostado na integração vertical de sua cadeia produtiva, como exemplificado pela nova fábrica da Loro Piana em Ghemme, focada na produção interna de malhas de caxemira.
A cidade também se prepara para eventos paralelos, como a celebração organizada pela Vogue sobre a intersecção entre artesanato e tecnologia. A presença de nomes como o bailarino Roberto Bolle e a modelo Alex Consani reforça o caráter cultural da semana, que vai além das passarelas e busca dialogar com o público contemporâneo.
Despedidas e novos talentos
O evento também marca momentos de transição importantes. O estilista Glenn Martens apresenta sua última coleção para a Diesel, encerrando um ciclo de cinco anos em que reposicionou a marca no mercado de luxo. Embora o sucessor de Martens ainda não tenha sido anunciado, o designer permanecerá vinculado ao grupo na Maison Martin Margiela.
A diversidade de vozes na moda italiana ganha reforço com a estreia de marcas internacionais no calendário oficial. Grifes portuguesas como Marques’Almeida e Miguel Vieira, além do estilista equatoriano Neithan Ruiz, integram a programação, sinalizando uma abertura maior para talentos globais em um dos palcos mais tradicionais do mundo.

