Senado aprova fim da escala 6×1 e estabelece jornada semanal de 40 horas
O Senado Federal aprovou, na noite desta última quarta-feira (14), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que determina o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. A matéria, que já havia tramitado na Câmara dos Deputados, recebeu o aval dos senadores em dois turnos de votação, consolidando uma mudança significativa nas relações trabalhistas do país.
O texto foi aprovado com ampla maioria, registrando 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada turno. Com a decisão, a proposta segue agora para promulgação pela Mesa do Congresso Nacional, tornando-se parte da Constituição Federal.
Novas regras para a jornada de trabalho
A nova legislação altera a estrutura do descanso semanal remunerado, garantindo aos trabalhadores dois dias de folga por semana, com a preferência de que um deles coincida com o domingo. A medida estabelece a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, mantendo o limite de oito horas diárias de trabalho.
Um ponto central da aprovação é a manutenção dos salários. A lei veda qualquer redução na remuneração dos trabalhadores, mesmo com a diminuição da carga horária semanal. O texto também permite a compensação de horários, desde que respeitados os limites estabelecidos pela nova regra constitucional.
Debates e impactos da medida
A votação foi precedida por um intenso debate que durou mais de cinco horas no plenário. Parlamentares de diversas correntes ideológicas discutiram os reflexos da mudança para o setor produtivo e para a economia nacional. Enquanto a base governista celebrou a conquista, alguns senadores ponderaram sobre a necessidade de adaptação de empresas e setores que operam em regime contínuo.
O relator da matéria no Senado, senador Omar Aziz (PSD-AM), destacou a importância da modernização das leis trabalhistas. A proposta, de autoria do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), foi defendida como uma medida essencial para a saúde mental e física do trabalhador, com ênfase na melhoria da qualidade de vida, especialmente para mulheres que enfrentam a dupla jornada de trabalho.
Implementação e próximos passos
A transição para o novo modelo será realizada de forma progressiva, conforme detalhado no texto da emenda. O objetivo é permitir que o mercado de trabalho se ajuste às novas exigências sem causar rupturas abruptas na operação das empresas. Para acompanhar o andamento oficial da matéria, os cidadãos podem consultar o portal do Senado Federal.
A aprovação encerra um ciclo de discussões sobre a necessidade de atualizar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) frente às demandas contemporâneas. A expectativa agora gira em torno da promulgação e da regulamentação dos detalhes operacionais para que a nova jornada passe a vigorar plenamente em todo o território nacional.

