O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, nesta quinta-feira (15/10), a validade de uma decisão monocrática do ministro André Mendonça, que obriga o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a apresentar dados detalhados sobre os investimentos em publicidade institucional realizados entre 2023 e 2026.
A medida é fruto de uma ação protocolada pelo PL (Partido Liberal), que questiona a legalidade e a proporção dos gastos com comunicação oficial. O processo mira tanto o presidente quanto o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira.
Contexto da ação e tramitação no TSE
O processo tramitava inicialmente em sessão virtual, mas foi transferido para o plenário físico após um pedido de destaque feito pelo ministro Floriano de Azevedo Marques. Durante a sessão desta quinta-feira, o magistrado explicou que a discussão sobre o mérito da decisão de Mendonça acabou perdendo parte de seu objeto, uma vez que os dados solicitados já foram encaminhados ao seu gabinete pelo Poder Executivo.
Floriano de Azevedo Marques havia defendido, anteriormente, uma delimitação mais estrita sobre quais informações deveriam ser prestadas. O ministro argumentava que a solicitação não deveria abranger a totalidade das despesas da administração, mas sim focar especificamente em ações de propaganda e promoção governamental, visando maior precisão na análise jurídica do caso.
Argumentos do Partido Liberal
Na petição apresentada ao tribunal, o PL sustenta que o governo federal teria extrapolado os limites objetivos de gastos com publicidade previstos na legislação eleitoral para o primeiro semestre do ano corrente. A legenda aponta que houve uma intensificação extraordinária no volume de recursos destinados à comunicação institucional desde o início de 2026.
Segundo a argumentação do partido, o aumento nos gastos teria ocorrido por meio de diversas frentes, incluindo a contratação massiva de mídia, divulgação de programas governamentais, campanhas de abrangência nacional, estratégias de impulsionamento digital e ações voltadas à promoção de realizações administrativas. O objetivo da sigla é que o tribunal avalie se houve desvio de finalidade ou abuso de poder econômico.
Próximos passos da investigação
Com a confirmação da ordem pelo plenário do TSE e o recebimento das informações enviadas pelo governo, o tribunal dará início à análise técnica dos dados. O material será submetido a um exame minucioso para verificar a conformidade das despesas com as normas vigentes. Para acompanhar o desenrolar das decisões da corte, é possível consultar os documentos oficiais no portal do Tribunal Superior Eleitoral.
A partir de agora, a corte deverá avaliar se os números apresentados pela Secom corroboram as suspeitas levantadas pela oposição ou se as despesas se mantiveram dentro dos parâmetros legais permitidos para a publicidade institucional em período eleitoral.

