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AGU aciona STF para pedir perda de cargo do ministro Marco Buzzi

AGU aciona STF para pedir perda de cargo do ministro Marco Buzzi

AGU aciona STF para pedir perda de cargo do ministro Marco Buzzi

A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou uma ação civil no Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de efetivar a perda do cargo do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi. A medida ocorre após o tribunal ter decidido, por maioria absoluta em agosto, punir o magistrado com o afastamento e a perda da função pública devido a violações de deveres funcionais, fundamentadas em denúncias de assédio e importunação sexual.

Além do pedido principal, a União solicitou a suspensão imediata dos pagamentos proporcionais ao ministro até que o julgamento definitivo do caso seja concluído. A AGU requereu ainda que os valores referentes à remuneração sejam retidos em uma conta judicial. Para preservar a intimidade das vítimas envolvidas, o órgão defende que o processo tramite sob segredo de justiça.

Regulamentação e precedentes no CNJ

Esta é a primeira ação desta natureza movida pela AGU após a recente regulamentação do regime disciplinar de magistrados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O novo rito foi estabelecido em resposta a uma mudança de entendimento da 1ª Turma do STF, que extinguiu a aposentadoria compulsória como sanção disciplinar, baseando-se na interpretação de que a Emenda Constitucional nº 103/2019 retirou essa previsão legal.

Conforme as novas diretrizes, quando um tribunal superior delibera pela perda do cargo de um de seus membros, os autos devem ser encaminhados à AGU. Cabe ao órgão, então, ajuizar a ação civil diretamente no Supremo Tribunal Federal. Somente após a decisão final do STF é que o magistrado é efetivamente desligado da magistratura.

Acusações de assédio e importunação

O processo administrativo que culminou na decisão do STJ teve origem em denúncias graves contra o ministro. Marco Buzzi foi acusado de importunar sexualmente uma jovem de 18 anos durante um passeio em uma praia no estado de Santa Catarina. Segundo o relato, o ministro teria tentado agarrar a vítima, que estava hospedada com a família na residência de praia do magistrado, diversas vezes contra a sua vontade.

Após a repercussão pública do caso, novas denúncias surgiram. Uma ex-funcionária do STJ, que prestava serviços no gabinete de Buzzi, também relatou ter sido vítima de assédio por parte do ministro dentro do ambiente de trabalho. As investigações e o desenrolar desta ação no STF definirão o futuro do magistrado na corte superior.