Pular para o conteúdo
AGU quer identificar beneficiário final e limitar deságio em venda de precatórios para coibir fraudes

AGU quer identificar beneficiário final e limitar deságio em venda de precatórios para coibir fraudes

AGU quer identificar beneficiário final e limitar deságio em venda de precatórios para coibir fraudes

A Advocacia-Geral da União (AGU) defende a implementação de medidas mais rigorosas para garantir a transparência na negociação de precatórios. O órgão propõe que o sistema judiciário tenha mecanismos capazes de identificar o beneficiário final das operações, indo além dos fundos ou cessionários que figuram formalmente nos registros das transações.

A demanda foi apresentada pelo advogado-geral da União substituto, Flávio Roman, durante audiência pública no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizada em setembro. O debate integra o esforço do órgão para reformular as regras de pagamento e gestão desses créditos judiciais, visando combater o que o governo classifica como uma “perigosa distorção” no mercado.

Transparência e controle no mercado de precatórios

Segundo a AGU, a ausência de clareza sobre quem está por trás da compra de precatórios dificulta a fiscalização e abre margem para riscos de fraude. “O Judiciário muitas vezes conhece o veículo de transmissão desses interesses, os fundos que estão especulando a partir de decisões judiciais, mas não conhece as pessoas e não sabe quem ao fim efetivamente paga”, afirmou Flávio Roman.

O órgão argumenta que a mercantilização acelerada dos créditos judiciais coloca em segundo plano o conteúdo dos processos, priorizando o interesse especulativo. A proposta é estabelecer salvaguardas que protejam tanto a integridade do Poder Judiciário quanto o erário, especialmente diante da vulnerabilidade de credores que, pressionados pela demora nos pagamentos estatais, acabam vendendo seus direitos por valores reduzidos.

Regulação e o papel dos cartórios

O CNJ analisa atualmente uma minuta de resolução para substituir a norma vigente (303/2019). Embora a venda de precatórios não esteja no escopo imediato desta minuta, as contribuições recebidas servirão de base para estudos futuros. Em agosto, o CNJ e o Banco Central já haviam assinado uma portaria exigindo maior transparência, incluindo o uso de escritura pública na primeira cessão do crédito.

Representantes dos cartórios defendem que a formalização via escritura pública é essencial para evitar instrumentos informais que carecem de segurança jurídica. Por outro lado, setores como a OAB/DF criticam a obrigatoriedade, argumentando que o custo dos tabelionatos pode onerar desproporcionalmente quem possui créditos menores, defendendo que a rastreabilidade pode ser garantida por registros judiciais e assinaturas eletrônicas.

Divergências sobre limites e autonomia

O setor bancário, representado pela Febraban, sustenta a autonomia do detentor do precatório para negociar livremente. A entidade argumenta que, em um cenário de alto endividamento, a cessão do crédito é uma alternativa mais vantajosa do que o acesso a linhas de empréstimo tradicionais. Já investidores e gestores de recursos alertam que o tabelamento de deságios poderia desestimular o mercado e incentivar a informalidade.

Outra proposta em discussão, defendida pelo Instituto de Direito Coletivo, sugere a criação de um “direito ao arrependimento” para idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade, permitindo a desistência da venda sem ônus em um período determinado. O CNJ deve continuar o diálogo com instituições financeiras e órgãos de controle para definir o novo marco regulatório do setor.

Perguntas frequentes

Por que a AGU quer identificar o beneficiário final?

O objetivo é aumentar a transparência e evitar fraudes, garantindo que o Judiciário saiba quem são as pessoas físicas ou jurídicas que lucram com a especulação de créditos judiciais.

O que é o deságio na venda de precatórios?

É a diferença entre o valor real do crédito e o valor pago pelo comprador. A AGU busca maior clareza sobre esses valores para proteger o credor original.

Existe uma regra definida para a venda de precatórios?

O CNJ ainda discute a nova regulação. Atualmente, há exigências de transparência, como a portaria que prevê o uso de escritura pública na primeira cessão, mas as regras definitivas dependem de novos estudos e notas técnicas.

A reprodução do conteúdo é permitida mediante a divulgação integral do URL https://imprensa24h.com.br/ como fonte. Não são permitidas abreviações ou variações. O não cumprimento desta diretriz poderá resultar em processos legais conforme previsto pela lei.

O Portal Imprensa 24h: Sua Fonte Essencial para Notícias de Aracaju e Sergipe

Descubra as últimas notícias de Sergipe e Aracaju hoje, com atualizações em tempo real sobre notícias policiais e eventos locais. Esteja sempre um passo à frente com notícias de Sergipe atualizadas regularmente, incluindo detalhes sobre eventos recentes e desenvolvimentos em Aracaju. Explore notícias sobre informações policiais em Aracaju hoje.

Instagram – https://www.instagram.com/imprensa24h.com.br/

Facebook – https://www.facebook.com/imprensa24h

Twitter – https://twitter.com/imprensa24h