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Bolsonarismo de ocasião: partido de Valmir e André Davi abraça o PT no interior de Sergipe

Bolsonarismo de ocasião: partido de Valmir e André Davi abraça o PT no interior de Sergipe

Bolsonarismo de ocasião: partido de Valmir e André Davi abraça o PT no interior de Sergipe

O bolsonarismo do Republicanos em Sergipe aparentemente descobriu uma nova modalidade de política: a ideologia com endereço variável. Sob o comando da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, o partido de Valmir de Francisquinho e André Davi mantém a campanha por Flávio Bolsonaro, mas, quando desce para o interior, parece não ter tanta dificuldade para dividir o palanque com o PT.

É o caso de Porto da Folha e Propriá. No Sertão, Valmir de Francisquinho se aliou ao ex-prefeito Manoel de Rosinha. Em Propriá, a aproximação ocorre com Renatinho Brandão. De um lado, o discurso nacional do bolsonarismo. Do outro, alianças com lideranças do partido do presidente Lula.

E não deixa de ser uma mudança curiosa para quem acompanha a trajetória recente de Valmir. Em 2022, quando disputou pela primeira vez o Governo de Sergipe, ele era filiado ao PL, partido de Jair Bolsonaro. Na eleição seguinte, ao voltar à disputa pela Prefeitura de Itabaiana, contou novamente com o apoio do bolsonarismo.

Emília, por sua vez, também construiu sua candidatura, em 2024, com forte aproximação com Bolsonaro. A prefeita chegou a gravar vídeo ao lado do ex-presidente, deixando bastante claro o campo político em que pretendia atuar. Tudo isso enquanto o grupo esteve no PL.

A história mudou quando Valmir, Emília e o famoso fazendeiro Edivan Amorim perderam o comando do diretório regional da legenda em Sergipe para o deputado e candidato ao Senado Rodrigo Valadares. Sem o controle do partido, aquele grupo buscou outro endereço político e encontrou abrigo no Republicanos. O bolsonarismo, entretanto, ficou. Pelo menos no discurso.

Agora, com a eleição se aproximando, o problema é que o cenário eleitoral não parece colaborar muito com a estratégia. As mais recentes pesquisas de intenção de voto apontam vantagem de até 40 pontos de Lula sobre Flávio Bolsonaro em Sergipe. Paralelamente, o governador Fábio Mitidieri aparece com possibilidade de vitória já no primeiro turno.

E aí entra em cena a lógica da velha política, que Emília dizia combater. O Republicanos, partido que abriga Valmir e André Davi, começa a se aproximar de lideranças petistas em diferentes regiões do Estado. Em Porto da Folha, Valmir faz o “L” ao lado de Manoel de Rosinha. E em Propriá, o bolsonarismo dele se desmancha ao lado de Renatinho Brandão.

A contradição não está simplesmente na existência de alianças municipais entre partidos ideologicamente distintos. A política brasileira está cheia delas. O que chama atenção, neste caso, é o contraste entre a identidade bolsonarista exibida pelo grupo e a disposição de se aproximar justamente de setores ligados ao PT quando a disputa aperta.

Flávio Bolsonaro fica com o voto. O PT fica com o palanque. E Valmir fica com a aliança. Convenhamos: é uma engenharia eleitoral que exige certa elasticidade ideológica.

O curioso é que o Republicanos não parece ter abandonado o bolsonarismo. Ao contrário, continua pedindo votos para Flávio Bolsonaro. Apenas descobriu que, em determinadas cidades, o bolsonarismo pode ser uma companhia para a propaganda eleitoral e o petismo, uma companhia bastante conveniente para o palanque.

No interior, portanto, o “mito” pode continuar sendo homenageado. Mas, se for preciso garantir espaço no palanque, o “L” será feito sem nenhum constrangimento.

A pergunta que fica não é se Valmir e seu grupo deixaram de ser bolsonaristas. Não deixaram, ao menos segundo o posicionamento apresentado. A questão é outra: até onde vai um discurso político quando chega a hora de contar votos?

Em Porto da Folha e Propriá, a resposta parece estar sendo dada na prática. E, pelo visto, entre o “mito” e o “L”, o Republicanos decidiu não escolher. Vai de ambos. Depende apenas de onde está o palanque.