A Câmara Municipal de Aracaju foi palco de um intenso debate político nesta terça-feira, 22, durante a votação de moções de solidariedade apresentadas pelo vereador Anderson de Tuca (União). A proposta visava manifestar apoio aos parlamentares Joaquim da Janelinha e Vinicius Porto, diante de informações sobre uma possível expulsão de ambos do PDT.
O embate sobre a autonomia partidária
O centro da discussão girou em torno de supostas represálias internas no PDT, motivadas pelo posicionamento político dos dois vereadores, que não estariam alinhados ao apoio do partido ao prefeito Edvaldo Nogueira. A iniciativa de Anderson de Tuca buscou dar visibilidade à situação, que ele classificou como uma questão de autonomia parlamentar.
“Vivemos uma democracia, cada um é dono dos seus próprios mandatos. Ser obrigado a escolher determinado candidato que o partido ordena é autoritarismo”, defendeu o autor da proposta durante a sessão.
Reações e divergências no plenário
A apresentação da moção provocou reações imediatas entre os pares. O vereador Fábio Meireles, líder do PDT na Casa, negou que o partido esteja conduzindo qualquer processo de expulsão contra os colegas. Meireles questionou a pertinência da votação sobre um cenário que, segundo ele, não se concretizou.
“Não há nada sobre discussão sobre isso. Se vier a se discutir, será algo interno do PDT. Colocar em xeque, através de uma moção aprovada por nós, uma suposição do que pode acontecer, não é o caminho”, argumentou o líder partidário.
O debate também contou com a intervenção do vereador Elber Batalha (PSB), que criticou a utilização do instrumento legislativo para tratar de questões internas de legendas. Para Batalha, a moção deveria ser reservada a temas de alta relevância para a capital sergipana, sugerindo que o debate sobre a expulsão não deveria ter avançado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Desfecho da votação
Apesar das divergências manifestadas por parte dos parlamentares, a Câmara de Aracaju seguiu com o rito regimental. Ao final das discussões, as moções de solidariedade propostas por Anderson de Tuca foram aprovadas em votação nominal pelos vereadores presentes.
O episódio reflete o clima de movimentação política na capital sergipana, onde as articulações partidárias e a fidelidade às orientações das siglas seguem como pontos de tensão no Legislativo municipal. A decisão da Casa, embora simbólica, reforça a divisão de opiniões sobre os limites da interferência partidária no exercício dos mandatos eletivos.
Perguntas frequentes
Por que a moção foi apresentada?
O vereador Anderson de Tuca apresentou a moção como um gesto de solidariedade a Joaquim da Janelinha e Vinicius Porto, devido a notícias sobre uma possível expulsão do PDT por divergências políticas.
Qual foi a posição do PDT?
O vereador Fábio Meireles, líder do PDT, negou que o partido esteja discutindo a expulsão dos parlamentares e criticou o uso de uma moção para tratar de suposições.
Qual foi o resultado da votação?
Apesar dos debates e críticas de outros parlamentares, as moções de solidariedade foram aprovadas pela maioria dos vereadores em votação nominal.

