Decisão unânime do TRE-RJ
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu, no dia 11 de setembro, o registro de candidatura de Mariana de Souza, que concorria ao cargo de deputada federal pela Federação União Progressista. A decisão, tomada por unanimidade, baseou-se em evidências de vínculos da candidata com o crime organizado.
Segundo a corte, Mariana é casada com Wilson Marques de Albuquerque, conhecido pelos apelidos de “Zé Dirceu” ou “Alex”. Ele é apontado pelas autoridades como vice-chefe do Comando Vermelho (CV) no estado de Alagoas. Embora o registro tenha sido negado, a candidata ainda pode recorrer da decisão e mantém suas atividades de campanha na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Infiltração no Poder Legislativo
O parecer do TRE-RJ aponta que a candidatura não representaria um projeto político autônomo, mas sim uma tentativa de infiltração do Comando Vermelho no Poder Legislativo. Entre os fatores que pesaram na decisão dos magistrados estão a concentração atípica de votos em regiões sob forte influência da facção e o recebimento de doações de campanha oriundas de pessoas com condenações por tráfico de drogas.
O marido da candidata, Wilson Marques, é considerado foragido da Justiça desde setembro de 2017, quando escapou do Presídio de Segurança Máxima 2, em Maceió, junto a outros dez detentos. Ele possui uma pena acumulada de 31 anos por crimes de tráfico e associação ao tráfico.
Investigação e defesa
Uma investigação conduzida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) revelou que o relacionamento entre Mariana e Wilson teve início em 2021, resultando no nascimento de um filho em 2023. O casal oficializou a união em 2025, em uma cerimônia realizada na Igreja Batista no Grotão, localizada no Complexo da Penha.
Em sua defesa, Mariana de Souza contesta as acusações de envolvimento com o crime. Ela alega ter encerrado o relacionamento ao tomar conhecimento das atividades criminosas do marido. Em publicações nas redes sociais, a candidata afirmou que sua história está sendo julgada sem o devido conhecimento dos fatos e questionou a tese de apoio da organização criminosa, argumentando que, se tivesse esse suporte, seu desempenho eleitoral teria sido superior aos cerca de 2 mil votos obtidos em 2024.
Próximos passos
Como o indeferimento do registro cabe recurso, o caso deve seguir para instâncias superiores da Justiça Eleitoral. Enquanto aguarda o desdobramento dos recursos, a candidata permanece em campanha, um cenário que mantém o debate sobre a influência de grupos criminosos no processo democrático em evidência no estado do Rio de Janeiro.
Perguntas frequentes
Por que a candidatura foi barrada?
O TRE-RJ indeferiu o registro devido a evidências de ligação da candidata com o Comando Vermelho, incluindo seu casamento com um foragido apontado como vice-chefe da facção em Alagoas.
Mariana de Souza ainda pode ser eleita?
A candidata teve o registro indeferido, mas como a decisão cabe recurso, ela continua em campanha enquanto aguarda a análise das instâncias superiores da Justiça Eleitoral.

