Não é raro observar grandes ícones da música, como Dave Grohl, do Foo Fighters, subindo ao palco e mantendo o hábito de mascar chiclete durante toda a performance. O que para muitos parece apenas um costume casual, revela-se, na verdade, uma prática com fundamentos na fonoaudiologia e na fisiologia vocal. O fenômeno não se restringe ao líder do Foo Fighters; nomes como John Lennon, Luciano Pavarotti, Liam Gallagher e Rob Halford também já foram flagrados utilizando a técnica em momentos distintos de suas carreiras.
Fundamentos da mastigação na performance vocal
A ciência por trás desse hábito remonta ao final dos anos 1940, quando o médico austríaco Emil Froeschels, um dos precursores da fonoaudiologia, descreveu o método da mastigação como um recurso terapêutico eficaz para a fala e a voz. A técnica, quando aplicada corretamente, auxilia na soltura da articulação temporomandibular.
Especialistas explicam que a mastigação altera o padrão de ativação da musculatura facial. Ao realizar esse movimento, o cantor consegue reduzir a rigidez muscular, permitindo uma configuração vocal mais flexível e menos tensa durante a execução das músicas. Para artistas que exigem muito do aparelho fonador, esse relaxamento é um diferencial estratégico.
Lubrificação e combate ao refluxo
Além da questão muscular, a produção de saliva desempenha um papel crucial. Muitos artistas enfrentam o problema da boca seca, frequentemente agravado pelo nervosismo pré-show ou pelo uso de medicamentos — como ansiolíticos ou remédios para pressão — que tornam a saliva mais espessa. O chiclete atua como um estímulo mecânico para a salivação, mantendo a hidratação necessária.
Outro ponto de atenção é o refluxo gastroesofágico, um inimigo silencioso de quem utiliza o apoio diafragmático com intensidade. O ácido estomacal, ao atingir as pregas vocais, pode causar danos significativos. Atualmente, existem produtos específicos no mercado que auxiliam no controle desse refluxo, oferecendo uma camada extra de proteção para a garganta dos vocalistas durante apresentações exaustivas.
Abordagens individuais e riscos
Cada artista adapta o hábito às suas necessidades. Dave Grohl, por exemplo, utiliza a goma para manter a garganta lubrificada enquanto alterna entre o canto melódico e os gritos característicos de seu estilo, evitando engasgos. Já Rob Halford, do Judas Priest, opta por gomas com mentol e eucalipto, buscando a desobstrução das vias respiratórias e dos seios da face.
Apesar dos benefícios, fonoaudiólogas como Thays Vaiano e Janaína Pimenta alertam para os riscos do uso excessivo. Manter algo na boca durante todo o tempo pode sobrecarregar a mandíbula e prejudicar a dicção e os ajustes finos necessários para a articulação precisa das palavras. A recomendação profissional é que o uso seja comedido, servindo como um suporte pontual e não como um acessório constante que comprometa a projeção vocal.
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