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Congresso tem até março para validar proibição das bets sob risco de caducar

Congresso tem até março para validar proibição das bets sob risco de caducar

Congresso tem até março para validar proibição das bets sob risco de caducar

A Medida Provisória (MP) que determinou a proibição imediata das empresas de apostas online, conhecidas como bets, enfrenta um cronograma apertado no Legislativo. Para que a restrição se mantenha em vigor, o texto precisa ser votado e aprovado pelo Congresso Nacional até o dia 5 de março. Caso o prazo expire sem a chancela dos parlamentares, a medida perde a validade e a operação das plataformas pode ser retomada no país.

Tramitação e prazos legislativos

Publicada no dia 25, a MP possui validade imediata, mas sua permanência definitiva depende da tramitação constitucional. O prazo de 120 dias para a análise é suspenso durante os períodos de recesso parlamentar, que ocorrem entre 23 de dezembro e 1º de fevereiro, além do intervalo de 17 a 31 de julho. Devido a essas pausas, o prazo final para a votação foi fixado em 5 de março.

A Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República informou que o governo articula com líderes da base aliada para acelerar a apreciação da matéria. Em nota, o Executivo reforçou que considera a votação prioritária ainda neste ano, manifestando confiança de que o Legislativo tratará o tema com a urgência necessária devido aos impactos sociais e econômicos envolvidos.

Questionamentos judiciais e impacto econômico

O setor de apostas tem reagido à decisão. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) protocolaram um pedido junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) visando suspender os efeitos da proibição. As entidades buscam reverter a determinação que veda a exploração, oferta e publicidade de cassinos online e apostas esportivas.

A proibição traz desafios para o equilíbrio das contas públicas. Desde o início de 2025, a taxação das bets gerou uma arrecadação de R$ 15,3 bilhões, sendo R$ 8,94 bilhões no ano passado e R$ 6,32 bilhões entre janeiro e agosto deste ano, segundo dados da Secretaria da Receita Federal. Esses recursos têm sido fundamentais para o cumprimento das metas fiscais do governo, evitando a necessidade de bloqueios mais severos em gastos públicos.

Justificativa do governo para a proibição

Na exposição de motivos que fundamenta a MP, os Ministérios da Fazenda e da Justiça argumentam que os mecanismos regulatórios anteriores não foram suficientes para proteger a saúde financeira das famílias. O governo aponta que o endividamento, os prejuízos à saúde mental e a exposição de crianças e adolescentes a essas plataformas justificam a urgência da medida.

Estudos citados pelo Executivo indicam que a transferência líquida de recursos das famílias para as plataformas de apostas pode ter atingido dezenas de bilhões de reais em 2025. A avaliação oficial é que a manutenção do regime anterior, enquanto se aguarda um processo legislativo ordinário, prolongaria danos sociais e econômicos considerados graves pelo governo.