O Instituto Santuário da Mata, situado no povoado Tejupeba, em Itaporanga d’Ajuda, alcançou um marco significativo para a conservação ambiental em Sergipe. A instituição foi oficialmente reconhecida como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), uma chancela concedida pelo Programa Homem e Biosfera (MaB) da UNESCO. Com essa nomeação, o estado passa a somar três unidades com esse selo internacional de relevância ecológica.
Trabalho de conservação e restauração da Mata Atlântica
O título atesta a eficácia das ações desenvolvidas pelo instituto, que incluem desde a restauração de áreas degradadas pela monocultura até a proteção direta de espécies ameaçadas. O fundador do projeto, Tito Garcez, destaca que o reconhecimento eleva o patamar das iniciativas sergipanas no cenário global. Segundo ele, os postos avançados atuam como pilares de referência para a ciência, educação ambiental e o fortalecimento do vínculo entre a comunidade e a preservação do bioma.
As atividades no local são diversificadas e focadas na regeneração natural e no plantio de espécies nativas. O monitoramento da biodiversidade é uma constante, permitindo a proteção de animais em risco de extinção, como o macaco-guigó-de-Coimbra-Filho, o macaco-prego-do-peito-amarelo e a preguiça-de-coleira. Além disso, o entorno do santuário já registrou a presença de mais de 120 espécies de aves, evidenciando a importância da manutenção desses fragmentos florestais.
Desafios e a criação de corredores ecológicos
Um dos pontos críticos abordados pelo instituto é a fragmentação da Mata Atlântica em Sergipe, onde resta apenas cerca de 5% da cobertura original. Tito Garcez alerta que o isolamento desses fragmentos coloca em risco a sobrevivência da fauna local. A estratégia defendida pelo Santuário da Mata é a implementação de corredores ecológicos e passagens de fauna, permitindo que os animais possam se deslocar e se reproduzir com segurança entre as áreas preservadas.
O próprio instituto já utiliza uma passagem de fauna como modelo prático, servindo de exemplo para ser replicado em outras regiões do estado. A meta é expandir essa visão para um projeto estadual de conexão, reduzindo o isolamento das espécies e promovendo uma recuperação mais robusta do ecossistema.
Pesquisa científica e parcerias estratégicas
A atuação do instituto é sustentada por parcerias com instituições de peso, como a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e o Ibama. Enquanto a colaboração acadêmica foca em estudos sobre a biodiversidade e ecologia, o trabalho conjunto com o órgão ambiental viabiliza a soltura de animais silvestres que foram recuperados. Essas parcerias são fundamentais para o mapeamento da fauna e para a compreensão detalhada das necessidades de conservação de cada espécie encontrada na região.
Além da vertente científica, o instituto investe no turismo de observação de vida silvestre. A iniciativa busca aproximar o público da natureza, promovendo a conscientização ambiental. Com o novo reconhecimento da UNESCO, o Santuário da Mata, fundado em 2021, assume a responsabilidade de ampliar suas ações, integrando-se ao grupo seleto de postos avançados sergipanos, que já conta com o Parque dos Falcões, em Itabaiana, e o Projeto TAMAR, em Aracaju.
Perguntas frequentes
O que significa ser um Posto Avançado da RBMA?
Significa que o local é reconhecido pela UNESCO como uma unidade de referência em conservação, pesquisa científica, educação ambiental e desenvolvimento sustentável da Mata Atlântica.
Quais outros locais em Sergipe possuem esse reconhecimento?
Além do Instituto Santuário da Mata, o estado possui o Parque dos Falcões, em Itabaiana, e o Projeto TAMAR, localizado no Oceanário de Aracaju.
Qual é o principal foco de atuação do Instituto Santuário da Mata?
O instituto foca na restauração da Mata Atlântica, proteção de espécies ameaçadas, pesquisa científica, educação ambiental e turismo de observação de vida silvestre.

