A delegação do Brasil na Assembleia Geral da ONU retirou-se do plenário nesta quinta-feira, 24, logo após o início do discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O movimento de saída foi acompanhado por representantes de dezenas de outros países, gerando um ambiente de tensão que obrigou a presidência da sessão a solicitar ordem repetidamente aos presentes.
Reação do premiê e tensões diplomáticas
Ao notar a debandada de diplomatas, Netanyahu reagiu de forma direta aos presentes. O premiê israelense desafiou os delegados que optaram por sair, chamando-os de “covardes morais”. Em sua fala, ele argumentou que as ações militares de seu país, incluindo ataques contra instalações nucleares iranianas, serviriam como uma forma de proteção indireta para as próprias nações que protestavam contra sua presença.
Netanyahu afirmou, sem citar nomes, que líderes de alguns desses governos teriam agradecido a Israel em conversas privadas pela destruição de infraestruturas nucleares do Irã. O pronunciamento ocorreu em um momento de isolamento diplomático crescente e forte pressão internacional sobre as operações militares conduzidas pelo governo israelense.
Foco no conflito com o Irã e defesa de Gaza
O Irã foi um dos eixos centrais da fala do primeiro-ministro. Netanyahu defendeu a ofensiva contra o programa nuclear iraniano, classificando a decisão de destruir as instalações de Teerã como uma das mais simples que precisou tomar durante seu mandato. O tema ganha relevância após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também ter defendido publicamente, em discurso na última terça-feira, 22, a possibilidade de uma ação militar contra o país persa caso não haja um acordo nuclear.
Sobre a guerra em Gaza, Netanyahu rejeitou veementemente as acusações de genocídio, rotulando as denúncias como “a maior mentira do século”. Ele sustentou que o Hamas utiliza a população civil e infraestruturas como hospitais e escolas para fins militares. O premiê destacou que as Forças Armadas de Israel adotam protocolos de aviso prévio, como telefonemas e mensagens, para tentar minimizar danos a civis durante as operações.
Contexto do conflito e críticas internacionais
O conflito atual, que se estende por múltiplas frentes como Hezbollah, Houthis e milícias na Cisjordânia, foi descrito por Netanyahu como uma resposta necessária ao ataque de 7 de outubro de 2023. Naquela data, o Hamas realizou uma ofensiva que resultou em 1.200 mortes e na captura de 251 reféns, segundo dados oficiais de Israel.
A presença de Netanyahu em Nova York ocorre em um cenário de forte desgaste com a comunidade internacional. Durante a abertura da Assembleia Geral, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva utilizou seu espaço de fala para criticar duramente a condução da guerra em Gaza, acusando o governo israelense de promover um genocídio contra o povo palestino.

