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Dólar fecha em alta de 1,27% e atinge maior valor desde agosto

Dólar fecha em alta de 1,27% e atinge maior valor desde agosto

Dólar fecha em alta de 1,27% e atinge maior valor desde agosto

Cenário eleitoral e pressão externa impulsionam a moeda

O mercado financeiro brasileiro registrou um dia de forte volatilidade nesta quarta-feira. O dólar à vista encerrou a sessão com valorização de 1,27%, cotado a R$ 5,1689. Este é o maior patamar de fechamento registrado desde 31 de agosto, quando a divisa atingiu R$ 5,1814. O movimento reflete uma combinação de incertezas sobre o cenário eleitoral doméstico e a pressão da moeda norte-americana no mercado internacional.

A reação dos investidores foi motivada, em grande parte, pela divulgação da nova pesquisa Atlas/Bloomberg. O levantamento aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomou a liderança numérica nas intenções de voto para um eventual segundo turno, com 47,7%, contra 47,4% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Embora os candidatos estejam em empate técnico dentro da margem de erro de um ponto percentual, a mudança de cenário em relação à pesquisa anterior trouxe cautela aos investidores.

Impacto nas expectativas do mercado

Nas últimas semanas, o mercado vinha operando com uma tendência de otimismo em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro, movimento que favorecia a queda do dólar e a valorização da bolsa. A desconfiança de parte dos agentes financeiros quanto à política fiscal de um eventual novo governo petista, focada na preocupação com o controle das contas públicas e da inflação, explica a sensibilidade dos ativos a qualquer sinal de mudança nas intenções de voto.

Marcos Bassani, sócio-fundador da Boa Brasil Capital, avalia que o foco dos investidores vai além dos nomes na disputa. Para ele, a trajetória da dívida pública é o ponto central. “Enquanto não houver um sinal claro de compromisso com as contas públicas, acredito que o investidor vai continuar exigindo juros mais altos para financiar o país e vai buscar proteção no dólar”, afirmou.

Pressão global e indicadores dos Estados Unidos

Além do fator eleitoral, o cenário externo contribuiu para a escalada da cotação. O dólar ganhou força frente a uma cesta de moedas globais, impulsionado pela expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, mantenha uma política de juros elevados. A pressão inflacionária, agravada pelo conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã, reforça a busca por ativos de segurança.

Dados econômicos robustos dos EUA também pesaram na balança. O Índice de Gerentes de Compras (PMI), divulgado pela S&P Global, subiu para 58,4 em setembro, o nível mais alto desde julho de 2021. O resultado indica uma expansão vigorosa do setor privado norte-americano, o que, por sua vez, aumenta as apostas de que o Fed terá espaço para manter os juros em patamares restritivos por mais tempo.

Movimentações do Banco Central

Durante o pregão, o Banco Central atuou no mercado de câmbio realizando a rolagem de 30.000 contratos de swap cambial, operação que não gerou impacto direto nas cotações. Em paralelo, o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, minimizou riscos de instabilidade severa, afirmando não esperar grandes solavancos no câmbio decorrentes das políticas de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

Os dados de fluxo cambial também foram monitorados pelo mercado. Segundo informações do Banco Central, o país registrou uma saída líquida de US$ 7,078 bilhões em setembro, considerando o período até o dia 18. O próximo passo para os investidores será acompanhar a continuidade da agenda eleitoral e novos indicadores econômicos globais que possam ditar o ritmo da moeda nos próximos dias.

Perguntas frequentes

Por que o dólar subiu hoje?

A alta foi impulsionada pela nova pesquisa eleitoral, que mostrou um cenário mais acirrado, e pelo fortalecimento do dólar no exterior devido a dados econômicos fortes dos EUA.

Qual a relação entre a pesquisa eleitoral e o câmbio?

O mercado financeiro reage a pesquisas eleitorais com base na percepção de risco fiscal. Candidatos vistos como menos alinhados ao controle rigoroso das contas públicas tendem a gerar maior cautela, elevando o preço da moeda estrangeira.

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