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Crise hídrica e embates políticos marcam a corrida eleitoral em Sergipe

Crise hídrica e embates políticos marcam a corrida eleitoral em Sergipe

A gestão dos serviços de água e esgoto em Sergipe tornou-se o principal combustível da campanha de Valmir de Francisquinho (Republicanos) ao governo estadual. O candidato tem centrado seu discurso nas falhas operacionais da concessionária Iguá, utilizando a escassez de água nas torneiras como um termômetro do descontentamento popular. A promessa de encerrar o que chama de “tempo do descaso” tem ganhado tração entre os eleitores que enfrentam dificuldades diárias com o abastecimento.

Impactos da crise hídrica na disputa estadual

A situação coloca o governador e candidato à reeleição, Fábio Mitidieri (PSD), em uma posição defensiva. A transição dos serviços estatais para a iniciativa privada, que gerou expectativas de melhoria, é agora alvo de críticas severas. A oposição argumenta que o governo falhou ao não resolver os gargalos de distribuição, transformando a insatisfação com a falta de água em um possível entrave para o projeto de reeleição do atual gestor.

O desgaste político também atinge parlamentares estaduais que apoiaram a concessão de parte da Companhia de Saneamento de Sergipe. O cenário de torneiras secas e a dependência de carros-pipa em diversas regiões têm sido explorados como evidência de uma gestão ineficiente, criando um ambiente de incerteza para as candidaturas da base governista.

Promessas e tensões na TV

Durante a série de entrevistas da TV Sergipe, conduzida pelo jornalista Lyderwan Santos, os candidatos ao governo apresentaram suas propostas. Valmir de Francisquinho reforçou sua elegibilidade perante a Justiça Eleitoral e prometeu reduzir o valor da passagem de ônibus na Grande Aracaju de R$ 4,50 para R$ 3,00. O espaço de 10 minutos concedido a cada postulante tem sido utilizado como vitrine para confrontar as gestões atuais e apresentar alternativas aos eleitores.

Paralelamente, o deputado estadual Georgeo Passos (Republicanos) elevou o tom contra o governador Fábio Mitidieri. O parlamentar acusou o chefe do Executivo de não cumprir uma Carta Compromisso assinada em 2022, que previa a regulamentação do adicional de periculosidade de 30% para policiais e bombeiros militares a partir de janeiro de 2023. A cobrança sobre a honra aos compromissos firmados com a categoria é um dos pontos de atrito na campanha.

Movimentações institucionais e sociais

Enquanto a disputa eleitoral se intensifica, a Câmara Municipal de Aracaju aprovou a prorrogação e ampliação da redução da alíquota do ISSQN sobre o transporte coletivo. O projeto, que reduz a taxa de 2% para zero por cento pelos próximos 24 meses, aguarda agora a sanção da prefeita Emília Corrêa (Republicanos). Além disso, a prefeita entregou a reforma do calçadão do bairro 13 de Julho, com um investimento de R$ 2 milhões voltado à modernização e acessibilidade do espaço.

No campo social, o movimento Mulheres em Lutas 60+ organiza uma plenária para discutir a participação feminina na política e o combate ao etarismo. A vereadora Sônia Meire (PSOL) destaca que o envelhecimento da população brasileira exige um olhar atento para a perda de direitos e as desigualdades de gênero e raça. Já a rede estadual de ensino segue em greve, com professores ocupando a sede da Secretaria da Educação em busca do restabelecimento da carreira do magistério, conforme diretrizes do Supremo Tribunal Federal.

Mudanças de posicionamento político

O cenário político sergipano também registra mudanças de alinhamento. O senador Rogério Carvalho (PT), que anteriormente criticava a gestão estadual e a atuação de instituições do Estado, agora compõe o palanque de Fábio Mitidieri. A guinada política tem gerado questionamentos sobre a coerência das críticas feitas pelo parlamentar há pouco mais de um ano, quando classificava o estado como “policial” e acusava perseguições a adversários do governo.