Checagem de declarações durante debates eleitorais
O portal g1 promoveu, nesta terça-feira (22), dois debates com candidatos ao Senado pelo Rio de Janeiro. Com mediação do jornalista Edimilson Ávila, os encontros foram realizados em estúdio da TV Globo e transmitidos ao vivo. A equipe do Fato ou Fake realizou a apuração das principais declarações feitas pelos postulantes ao cargo durante as discussões.
O primeiro debate contou com a presença de Carlos Jordy (PL), Marcelo Crivella (Republicanos), Marcos Dias (Podemos) e Pedro Paulo (PSD). Já o segundo encontro reuniu Benedita da Silva (PT), Carlos Portinho (PL), Monica Benicio (PSOL) e Waguinho (Republicanos). A participação foi definida por critérios de representatividade parlamentar e desempenho em pesquisas eleitorais.
Verificação das falas de Benedita da Silva e Carlos Jordy
A candidata Benedita da Silva afirmou que as mulheres trabalham 10 horas a mais que os homens, considerando as obrigações domésticas. A declaração foi classificada como #FATO. Dados do IBGE de 2022 indicam que mulheres dedicavam, em média, 21,3 horas semanais ao trabalho doméstico, enquanto homens dedicavam 11,7 horas, uma diferença de 9,6 horas.
Sobre a afirmação de que o Congresso Nacional é o responsável pelos cortes no orçamento, a checagem apontou #NÃOÉBEMASSIM. Segundo Marcus Pestana, diretor do Instituto Fiscal Independente (IFI), tanto o Executivo quanto o Legislativo possuem competências distintas no ciclo orçamentário. Enquanto o governo pode realizar bloqueios e contingenciamentos, o Congresso tem o poder de alterar o projeto por meio de emendas.
O candidato Carlos Jordy declarou que o Rio de Janeiro possui 600 mil jovens que não trabalham nem estudam. A informação é #FATO, baseada na PNAD Educação divulgada em junho. Embora o estado tenha reduzido esse contingente em relação a 2019, ainda apresenta o pior desempenho da região Sudeste. Sobre a legalização das apostas, Jordy afirmou que o presidente Lula aprovou o projeto das “bets”. A checagem classificou como #NÃOÉBEMASSIM, visto que a lei original é de 2018, sancionada por Michel Temer, e a regulamentação atual é fruto de um processo legislativo complexo que envolveu diferentes gestões.
Análise sobre o Hospital dos Olhos e a ADPF 635
Carlos Portinho afirmou ter investido R$ 6 milhões no Hospital dos Olhos em Barra do Piraí. A declaração é #FATO. Documentos da Controladoria-Geral da União confirmam o repasse de uma emenda parlamentar neste valor, paga pelo Ministério da Saúde ao Fundo Municipal de Saúde em 8 de maio de 2026.
Por outro lado, a afirmação de Portinho de que a ADPF 635 proibiu a entrada da polícia em comunidades foi classificada como #FAKE. A decisão do STF, conhecida como “ADPF das Favelas”, estabeleceu critérios para a realização de operações policiais, como a comunicação prévia ao Ministério Público, mas não proibiu a atuação do Estado. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que milhares de operações foram realizadas desde a vigência da medida, com aumento no número de prisões em flagrante no período.
Perguntas frequentes
Como são escolhidos os candidatos para os debates?
São convidados candidatos de partidos ou federações com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso ou que alcançaram pelo menos 5% de intenções de voto nas pesquisas Quaest ou Datafolha mais recentes.
O que é o projeto Fato ou Fake?
É uma iniciativa jornalística que verifica a veracidade de declarações feitas por figuras públicas, baseando-se em dados oficiais, documentos e consultas a especialistas.

