Candidato ao Senado questiona operação que apura contratos da Prefeitura de Aracaju envolvendo sua cunhada, mas não apresenta provas das ilações que faz contra policiais
O delegado André David (Republicanos), candidato ao Senado e ex-secretário municipal de Segurança e Cidadania de Aracaju, partiu para o confronto com a própria corporação ao lançar, nas redes sociais, suspeitas sobre a atuação da Polícia Civil de Sergipe durante uma investigação que alcança contratos da Prefeitura de Aracaju.
Em vídeo publicado nas redes sociais, André David questiona a proximidade entre a ação policial e o calendário eleitoral, sugerindo que a operação teria motivação política. De forma categórica, classifica o episódio como “abuso de poder”, embora não apresente elementos que comprovem a acusação.
As afirmações, porém, não são acompanhadas de provas de manipulação da investigação ou de atuação irregular dos policiais. O próprio delegado reconhece que seu nome não foi citado na nota oficial nem no vídeo divulgado pela Polícia Civil. Ao que parece, André viu uma carapuça e tratou de vesti-la.
A manifestação do candidato, em crítica direta à atuação dos investigadores, ocorre após a deflagração da Operação Pecúnia, em 18 de setembro, que cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Aracaju e Salgado. A investigação apura suspeitas de fraudes em licitações e contratos administrativos da Prefeitura de Aracaju e teve início após a apreensão de R$ 240 mil em espécie com César Costa Azevedo Dias, então diretor financeiro da Secretaria Municipal da Educação (Semed).
A investigação mira contratos da Semed com a MF Comércio Empreendimentos e Serviços Ltda., empresa que tem entre as sócias Kaynara Silva Maia, irmã da esposa de André David, que também é candidata à primeira suplência na chapa. Desde o início da gestão da prefeita Emília Corrêa, em 2025, a empresa firmou ao menos três contratos com a Prefeitura de Aracaju, no montante de quase R$ 20 milhões, para o fornecimento de kits escolares e fardamentos.
Dois contratos, decorrentes de pregão eletrônico, somam R$ 12,13 milhões. Outro, firmado por dispensa emergencial, prevê R$ 7,44 milhões. Diante de suspeitas de irregularidades sob investigação, agentes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) estiveram na Semed para requisitar documentos relacionados a contratos e pagamentos de empresas fornecedoras de fardamentos e kits escolares.
A condição de delegado torna o episódio particularmente controverso. Ao contestar publicamente a atuação de seus próprios colegas e atribuir à operação uma suposta motivação eleitoral sem apresentar provas, André David acaba colocando sob suspeita a própria instituição à qual pertence.
Enquanto o candidato fala em perseguição e “abuso de poder”, a Polícia Civil mantém a investigação sobre os contratos e a movimentação financeira sob apuração. As diligências e os exames periciais ainda estão em andamento.
No fim das contas, a operação que deveria ser o alvo da defesa política de André David acabou produzindo outro foco de atenção: o próprio delegado passou a questionar publicamente a corporação que, por dever de ofício, também é sua.
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