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Empresas adotam interoperabilidade em relatórios ESG para ampliar transparência

Empresas adotam interoperabilidade em relatórios ESG para ampliar transparência

Empresas adotam interoperabilidade em relatórios ESG para ampliar transparência

As corporações estão transformando a maneira como comunicam seu compromisso com a sustentabilidade. Em vez de se limitarem a um único modelo de governança, as empresas têm adotado a interoperabilidade entre diferentes frameworks ESG. Essa estratégia permite cruzar dados de normas distintas, como GRI, TCFD e ISSB, criando uma visão mais holística e precisa sobre o impacto ambiental, social e de governança das organizações.

A estratégia por trás da combinação de normas

A utilização de múltiplos referenciais não é apenas uma escolha técnica, mas uma necessidade estratégica. Dados da Harvard Law School indicam que 90% das empresas pesquisadas utilizam mais de um framework para elaborar seus relatórios, enquanto 79% aplicam três ou mais normas simultaneamente. Essa prática ajuda a padronizar repositórios de dados e torna os índices de sustentabilidade mais comparáveis entre diferentes mercados.

A interoperabilidade permite, por exemplo, que o questionário do CDP seja harmonizado com as Normas Europeias de Relato de Sustentabilidade (ESRS). Essa integração reduz a carga operacional das companhias, que conseguem cumprir exigências da União Europeia, como a CSRD, enquanto mantêm visibilidade clara em todos os pilares ESG. O objetivo central é deixar de tratar as normas como conjuntos rígidos de regras e passar a utilizá-las como instrumentos de troca e aprendizado.

Brasil se destaca na adoção de padrões globais

O Brasil ocupa uma posição de relevância no cenário internacional de relatórios de sustentabilidade. Segundo a Global Reporting Initiative (GRI), o país é o quinto com maior adoção de seus padrões entre 132 jurisdições analisadas. Esse protagonismo reflete uma maturidade corporativa que busca alinhar a conformidade regulatória a uma comunicação transparente com o mercado e investidores.

Para expandir essa cultura, a GRI possui uma iniciativa focada em pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras. Com apoio da Secretaria de Estado de Assuntos Econômicos da Suíça (SECO), o projeto visa capacitar até 150 empresas nacionais. A iniciativa combina financiamento internacional e tecnologia para que negócios de menor porte também consigam estruturar dados ambientais e sociais, democratizando o acesso a práticas de governança robustas.

Conformidade e inovação como vantagem competitiva

A coexistência de diferentes frameworks não significa incompatibilidade. Estudos, como o apresentado no World Economic Forum, demonstram que existe uma sobreposição significativa entre indicadores de diferentes entidades. Em muitos casos, 80% das métricas climáticas da TCFD já são contempladas por indicadores do CDP, GRI e SASB, revelando que a diversidade de normas é, na verdade, um caminho para a complementaridade.

Ao integrar esses sistemas, as empresas conseguem transitar entre a simples conformidade e a inovação. A capacidade de reorganizar a mesma informação de base sob diferentes unidades de materialidade permite que a organização reflita sua realidade de forma mais efetiva. Esse movimento contínuo de reflexão é o que diferencia empresas que apenas preenchem requisitos daquelas que utilizam o ESG como uma vantagem estratégica real para captar investimentos e aumentar sua resiliência.

Perguntas frequentes

Por que as empresas usam mais de um framework ESG?

O uso de múltiplos frameworks permite uma visão mais holística e comparável dos dados, atendendo melhor às demandas de diferentes stakeholders e facilitando a interoperabilidade entre normas internacionais.

A interoperabilidade reduz a carga de trabalho das empresas?

Sim. Ao harmonizar diferentes normas, como o CDP e as ESRS europeias, as empresas conseguem cumprir diversas exigências regulatórias com menor esforço de reporte e maior clareza nos resultados.

Os frameworks ESG são voltados apenas para grandes corporações?

Não. Embora grandes empresas sejam as principais usuárias, iniciativas como a da GRI buscam capacitar PMEs brasileiras para que também possam coletar, organizar e reportar informações de sustentabilidade.

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