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Estratégia de campanha: como Lula desenha o mapa de viagens pelo Brasil

Estratégia de campanha: como Lula desenha o mapa de viagens pelo Brasil

Estratégia de campanha: como Lula desenha o mapa de viagens pelo Brasil

A estratégia de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na busca pela reeleição tem priorizado um roteiro que mescla grandes colégios eleitorais, redutos históricos do petismo e estados onde a disputa de 2026 se apresenta mais acirrada. Desde o início oficial da campanha, em 16 de agosto, o petista realizou 19 atos, percorrendo 17 cidades em 12 estados e no Distrito Federal.

Foco nos maiores colégios eleitorais

O itinerário de Lula contempla os cinco maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná. Juntos, esses estados concentram 83,3 milhões de eleitores, o que representa 52,45% do eleitorado apto a votar em 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A região Sudeste tem sido o centro das atenções, concentrando metade dos eventos eleitorais. Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro receberam três agendas cada. A estratégia regional busca dialogar com perfis de eleitorado distintos; em São Paulo, por exemplo, o presidente passou tanto pelo ABC paulista, berço de sua trajetória sindical, quanto por polos do agronegócio, como São José do Rio Preto.

Entre redutos petistas e territórios adversos

O mapa de viagens revela uma tentativa de consolidar votos em áreas onde o PT possui forte penetração e, simultaneamente, avançar em terrenos hostis. O roteiro inclui cidades como Juazeiro do Norte (CE) e Salvador (BA), onde Lula obteve votações expressivas no segundo turno de 2022, superando os 70% dos votos válidos.

Por outro lado, o presidente também marcou presença em locais onde a oposição teve desempenho superior na última eleição, como Curitiba (PR), São José do Rio Preto (SP) e o Distrito Federal. Em 2022, Jair Bolsonaro (PL) venceu em 10 das 16 cidades visitadas pelo petista até o momento.

Agenda de reta final e construção de palanques

A reta final da campanha deve ampliar o alcance geográfico do presidente. A previsão é que Lula visite a Região Norte pela primeira vez nesta campanha, com agendas em Manaus e Belém na segunda-feira (28/9). Na sequência, o cronograma aponta atos em Fortaleza (CE) e Feira de Santana (BA), além de retornos a Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O encerramento da campanha está previsto para o dia 3 de outubro, em São Paulo.

Além da busca por votos, as viagens funcionam como ferramenta de articulação política. Lula tem dividido palanques com candidatos a governador e ao Senado de diversos partidos, como PSD, MDB, PDT, PSB, PSOL e Rede, buscando fortalecer as alianças estaduais e a futura composição do Congresso Nacional.

Temas centrais e disputas estaduais

Os discursos de Lula nos atos de campanha têm mantido eixos temáticos recorrentes, como a soberania nacional, críticas à família Bolsonaro e ao seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), além de pautas como o combate ao feminicídio e a valorização da educação. Em cidades específicas, o tom é ajustado: no Rio de Janeiro, por exemplo, o foco tem recaído sobre a segurança pública e a proposta de criação de um ministério para a área.

Em Minas Gerais, estado estratégico para a eleição, o cenário mostra uma disputa acirrada. Pesquisas recentes, como a da Quaest, indicam um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, o que explica a alta frequência de visitas do presidente ao estado nas últimas semanas.