Uma investigação conduzida pelo Departamento de Crimes contra o Patrimônio (Depatri) desarticulou uma associação criminosa especializada em fraudes digitais em Sergipe. O grupo, que operava com táticas sofisticadas de engenharia social, causou um prejuízo de aproximadamente R$ 136 mil a um comprador e a um lojista de veículos em Aracaju.
Mecanismo da fraude e encenação criminosa
O esquema, conhecido como golpe do falso intermediador, utilizava anúncios clonados, perfis falsos e documentos adulterados para conferir legitimidade às negociações. Segundo a Polícia Civil, os criminosos se passavam por vendedores, funcionários de administradoras de consórcio e intermediadores, criando uma rede de contatos que impedia a vítima de perceber a fraude durante o processo.
A delegada Lauana Guedes, responsável pelas investigações, descreveu a ação como uma verdadeira encenação. O comprador só descobriu que havia caído em um golpe ao comparecer fisicamente à loja de veículos para finalizar a transação e constatar que o valor transferido não havia sido creditado na conta do estabelecimento comercial.
Divisão de tarefas e conexões interestaduais
As diligências revelaram uma estrutura organizada com divisão de funções bem definidas. Enquanto alguns membros eram responsáveis pela criação de anúncios e pela comunicação direta com as vítimas via aplicativos de mensagens, outros cuidavam da falsificação de documentos e da disponibilização de contas bancárias de terceiros para o recebimento dos valores ilícitos.
A apuração policial identificou que o grupo possui conexões com criminosos baseados em São Paulo, que já teriam histórico de atuação em outros estelionatos cometidos em solo sergipano. A complexidade do esquema levou a Polícia Civil a investigar a possível caracterização de organização criminosa.
Prisões e continuidade das investigações
Diante das provas colhidas, a Justiça decretou a prisão de três investigados. Com o apoio da Polícia Civil de São Paulo, uma das ordens judiciais foi cumprida no município de Tatuí (SP). Os outros dois suspeitos identificados seguem foragidos.
O Departamento de Crimes contra o Patrimônio continua as diligências para identificar outros integrantes da quadrilha e verificar se existem mais vítimas que ainda não registraram ocorrência sobre o mesmo esquema. A orientação das autoridades é que consumidores sempre verifiquem a veracidade de anúncios e evitem realizar pagamentos para contas de terceiros sem a devida confirmação presencial com o proprietário do estabelecimento.
Perguntas frequentes
Como funciona o golpe do falso intermediador?
O golpista se coloca entre o vendedor real e o comprador, criando anúncios falsos e se passando por funcionário ou intermediário para desviar o pagamento para contas de terceiros.
O que fazer para evitar esse tipo de fraude?
Desconfie de preços muito abaixo do mercado, evite realizar transferências para contas de pessoas físicas quando a negociação for com uma empresa e confirme sempre a transação diretamente no estabelecimento comercial.
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