Em meio ao acirramento da disputa eleitoral, ferramentas de inteligência artificial foram consultadas para verificar a veracidade de uma informação que circulou nas redes sociais: a suposta existência de um projeto de autoria de Flávio Bolsonaro que visaria retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Chatbots como ChatGPT, Gemini e Claude foram unânimes ao classificar o conteúdo como falso.
Origem da desinformação e o projeto de 2007
A associação entre o nome do candidato e a proposta de alteração do título da padroeira ganhou força no final de setembro. A narrativa baseia-se em uma distorção de um projeto de lei antigo. O texto em questão, o PL 2.623/2007, foi apresentado pelo então deputado Victório Galli, que propunha substituir o título de “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
É importante ressaltar que essa proposta não tem qualquer ligação com Flávio Bolsonaro. O projeto de Galli foi arquivado pela Câmara dos Deputados em agosto de 2008, quase duas décadas antes do atual cenário eleitoral. A confusão nas redes sociais é alimentada pelo fato de Galli ter mantido proximidade com a família Bolsonaro, tendo inclusive ocupado cargo de assessor na Presidência da República em 2019.
O papel das IA’s na checagem de fatos
Ao serem questionadas sobre a existência de tal iniciativa por parte do senador, as plataformas de IA utilizaram suas bases de dados e ferramentas de busca em tempo real para esclarecer o equívoco. O Gemini, do Google, foi direto ao negar a veracidade da informação, reforçando que não há qualquer projeto ou proposta nesse sentido registrada em nome do parlamentar.
O ChatGPT, da OpenAI, adotou uma postura explicativa, detalhando a origem da confusão com o projeto de 2007 e fornecendo fontes oficiais, como o Portal da Câmara dos Deputados. Já o Claude, da Anthropic, destacou que não há registros da iniciativa e contextualizou o vínculo indireto entre o autor do projeto original e o grupo político do candidato.
Disputa judicial sobre o conteúdo
A propagação do boato gerou uma intensa batalha jurídica. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou a determinar a remoção de mais de mil publicações que associavam o candidato ao tema. Posteriormente, a decisão foi suspensa pelo ministro Flávio Dino, mas uma nova determinação do ministro Luiz Fux restabeleceu a ordem para que as redes sociais excluíssem postagens que vinculassem Flávio Bolsonaro ao projeto de lei em questão.
O candidato, por sua vez, classificou as acusações como fake news e reiterou que não possui qualquer iniciativa voltada a alterar o status de Nossa Senhora Aparecida. As ferramentas de IA, ao serem questionadas sobre seus critérios, informaram que seguem diretrizes de neutralidade e segurança, especialmente em períodos eleitorais, priorizando dados públicos e fontes verificáveis para evitar a disseminação de desinformação.

