O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22/9), em Nova York, com um discurso focado na defesa da soberania nacional e críticas severas ao que classificou como uma crise de liderança mundial. Em sua décima participação na tribuna da ONU, o petista aproveitou o palco global para enviar recados indiretos ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condenando práticas de coerção econômica e tentativas de interferência em processos eleitorais na América Latina.
Embora não tenha citado o nome de Trump, as referências foram claras ao criticar o uso de tarifas como instrumento de chantagem e a postura de potências que buscam exercer influência sobre a região. O discurso ocorreu em um momento de tensão política, a apenas 12 dias das eleições brasileiras, com Lula reforçando a necessidade de o país manter sua autonomia frente a interesses estrangeiros.
Defesa da soberania e críticas ao cenário internacional
Lula enfatizou que o Brasil não aceitará ingerências externas, afirmando categoricamente que o país “não cabe no quintal de ninguém”. O presidente destacou que, no pleito de 4 de outubro, os brasileiros decidirão entre “democracia e negacionismo”, em um processo que ele garante ser transparente e competitivo. A fala também serviu como resposta a articulações políticas de opositores, como o senador Flávio Bolsonaro, que tem mantido interlocuções com integrantes do entorno de Trump.
No campo dos conflitos globais, o presidente condenou a guerra em Gaza, classificando as ações do governo de Benjamin Netanyahu como um “genocídio” contra civis palestinos, ao mesmo tempo em que repudiou os atos terroristas do Hamas. Sobre a Ucrânia, reiterou que a diplomacia é a única via possível, descartando a possibilidade de vencedores no campo de batalha após cinco anos de hostilidades.
Regulação tecnológica e agenda social
Além da política externa, o presidente dedicou parte de sua fala à necessidade de frear o poder das grandes corporações tecnológicas. Lula defendeu a regulação das Big Techs e da inteligência artificial, argumentando que a corrida tecnológica atual carece de limites éticos. O petista também criticou a indústria das apostas esportivas, as chamadas bets, e reafirmou que o governo não permitirá a privatização do Pix, mantendo-o como um serviço público e gratuito.
No âmbito do trabalho, o presidente manifestou apoio ao fim da escala 6×1, defendendo que o trabalhador tenha mais tempo para descanso e convívio familiar. A pauta social foi reforçada com a defesa dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, sob o argumento de que é possível priorizar o investimento em saúde e educação ao fazer com que “os ricos paguem a sua parte”.
Segurança e transição energética
Ao abordar a segurança pública, Lula rechaçou a necessidade de intervenções externas, como o uso de porta-aviões estrangeiros para vigiar águas brasileiras. Segundo o presidente, o foco deve ser a cooperação internacional para desarticular o fluxo de armas e dinheiro que alimenta o crime organizado, citando a chamada Lei Antifacção como um marco no enfrentamento aos “magnatas do crime”.
Sobre a transição energética global, o Brasil se posicionou como um ator estratégico devido à posse de minerais críticos e terras raras. Lula deixou claro que o acesso estrangeiro a esses recursos naturais estará condicionado à transferência de tecnologia e à geração de valor dentro do território brasileiro, garantindo que as riquezas nacionais beneficiem diretamente a população.
Perguntas frequentes
Qual foi o principal recado de Lula na ONU?
Lula defendeu a soberania brasileira e criticou a postura de potências que utilizam tarifas e coerção econômica como forma de chantagem, em uma clara referência indireta aos Estados Unidos e à influência de Donald Trump na política regional.
O que o presidente disse sobre o conflito em Gaza?
O presidente condenou a guerra, responsabilizando o governo de Israel pelo que chamou de “genocídio” contra palestinos, enquanto também condenou os atos terroristas praticados pelo Hamas.
Qual a posição do governo sobre as Big Techs?
Lula defendeu a necessidade urgente de regulamentação das Big Techs e da inteligência artificial, argumentando que a corrida tecnológica atual ocorre sem freios éticos e à revelia das diretrizes da ONU.
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