As bolsas e moedas de países em desenvolvimento registraram valorização nesta segunda-feira, impulsionadas por sinais positivos nas tratativas diplomáticas entre Estados Unidos e China. O clima de otimismo, que favoreceu ativos de maior risco, foi reforçado pela queda recente nos preços do petróleo, aliviando pressões inflacionárias globais.
Diálogo sobre tecnologia e distensão comercial
O mercado reagiu favoravelmente após o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, confirmar a criação de um canal de diálogo sobre inteligência artificial com a delegação chinesa, liderada pelo vice-primeiro-ministro He Lifeng. As discussões, realizadas em Nova York, foram classificadas como positivas por ambos os lados, reduzindo temores de escalada em um setor que se tornou central nas tensões entre as duas maiores potências econômicas mundiais.
Analistas da TD Cowen apontam que a expectativa predominante é de uma prorrogação da distensão comercial. Segundo o relatório, mudanças drásticas em políticas tarifárias, especialmente nos setores de energia solar e importação de veículos, permanecem pouco prováveis no curto prazo, o que traz previsibilidade aos investidores.
Impacto nos índices globais e moedas
O índice MSCI, que monitora ações de mercados emergentes, apresentou alta de 1,5%, atingindo seu patamar mais elevado em mais de uma semana. O movimento foi liderado por gigantes do setor de tecnologia, como a Samsung Electronics, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC) e a MediaTek.
No mercado cambial, o desempenho foi heterogêneo. O florim húngaro destacou-se positivamente, beneficiado pela redução nos custos de energia, que favorece a balança comercial do país. Já o zloty polonês mostrou resiliência ao valorizar-se 0,2% frente ao euro, mesmo após o rebaixamento da nota de crédito da Polônia pela agência Moody’s, um movimento que, segundo especialistas, já estava precificado pelo mercado.
Desafios regionais e decisões de juros
Nem todos os mercados emergentes acompanharam a tendência de alta. Na Turquia, o cenário permanece tenso devido ao congelamento de ativos de executivos de empresas de investimento, em meio a uma crise interna no setor de fundos. Na Ásia, a rupia indonésia operou com cautela, enquanto investidores aguardam a decisão do banco central local sobre a taxa de juros nesta quarta-feira.
A Hungria também está no radar dos investidores, com uma decisão sobre juros prevista para esta terça-feira. A expectativa consensual de economistas consultados pela Bloomberg é de uma pausa no ciclo de afrouxamento monetário, após três meses consecutivos de cortes. Paralelamente, o Bank of America alertou que, apesar da queda recente do petróleo, as tensões no Oriente Médio mantêm o risco de preços de energia elevados no radar dos investidores de crédito para os próximos meses.

