O mercado de ouro vive um momento de cautela, com a onça sendo negociada próxima a US$ 4.150 nesta terça-feira (29), acumulando uma queda de aproximadamente 6,5% no último mês. Apesar do cenário negativo recente, analistas do DBS, o maior banco do Sudeste Asiático, acreditam que o pior período de desvalorização ficou para trás, projetando uma valorização expressiva do metal precioso nos próximos anos.
Perspectiva de valorização e o fim do ajuste
Segundo o relatório divulgado pela instituição, o metal está nos estágios finais de um ajuste de posicionamento. A tese estrutural de alta permanece intacta, sustentada por fundamentos históricos como a escassez, liquidez e a ausência de risco de calote. O banco projeta que o ouro alcance US$ 5.300 por onça até o final de 2026, com uma trajetória de crescimento que pode levar a cotação a US$ 6.100 até o terceiro trimestre de 2027, representando uma alta de 47% em relação aos valores atuais.
A pressão sobre o metal iniciou-se em janeiro, impulsionada por expectativas de uma política monetária mais restritiva pelo Federal Reserve (Fed) e agravada por temores inflacionários decorrentes de conflitos geopolíticos no Irã. Contudo, a adaptação do mercado de energia e a redução de posições especulativas extremas sinalizam um ambiente mais favorável para a recuperação do ativo.
Fatores que sustentam a tese de alta
O DBS destaca que a China desempenha um papel fundamental nesta nova fase. Com a adoção de margens mais rígidas para operações de varejo na Bolsa de Ouro de Xangai, o mercado reduziu a alavancagem excessiva, tornando-se menos suscetível a vendas forçadas. Agora, a dinâmica de preços depende mais da demanda física e das compras estratégicas realizadas por bancos centrais.
Além disso, o aumento dos rendimentos dos títulos de longo prazo — como o Treasury de 30 anos, que superou 5,34% — reacendeu preocupações fiscais globais. Esse cenário reforça o papel do ouro como um ativo de proteção contra a desvalorização cambial, atraindo investidores que buscam segurança em tempos de incerteza econômica.
Recomendação de alocação estratégica
Para investidores que buscam equilíbrio, o banco sugere uma alocação estratégica entre 5% e 10% em ouro. Estudos realizados pela instituição, simulando carteiras com diferentes pesos do metal entre 1998 e 2026, indicam que a presença do ouro reduz a volatilidade e a perda máxima acumulada, além de melhorar o retorno ajustado ao risco devido à sua baixa correlação com ações e títulos de renda fixa.
Para que essas projeções se concretizem, o banco considera premissas como a manutenção do índice do dólar (DXY) em patamares específicos e a continuidade das compras robustas por parte de autoridades monetárias globais. O ouro, portanto, mantém sua relevância como componente de diversificação em portfólios globais.
Perguntas frequentes
Por que o ouro caiu nos últimos meses?
A queda foi motivada pela expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos e pelo impacto de tensões geopolíticas no Irã, que elevaram os custos de energia e geraram incertezas inflacionárias, levando a um desmonte de posições no mercado.
Qual é a recomendação de investimento para o ouro?
O DBS recomenda uma alocação estratégica entre 5% e 10% do portfólio para investidores que buscam diversificação e proteção contra a desvalorização cambial, sem comprometer a estrutura da carteira.
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