A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (14/9), trouxe um cenário de preocupação para o Palácio do Planalto. Pela primeira vez desde o início da campanha, o senador Flávio Bolsonaro (PL) superou o presidente Lula (PT) em uma simulação de segundo turno, registrando 42% das intenções de voto contra 40% do petista. O resultado contrasta com o otimismo de parte da campanha, que via sinais de recuperação nas últimas semanas.
O levantamento provocou reações distintas entre os auxiliares do governo. Enquanto uma ala interpreta os números como evidência de que a reeleição entrou em uma zona de risco real, outros setores buscam relativizar o resultado, apontando que a pesquisa destoa de outros indicadores, como o Datafolha e o levantamento BTG/Nexus, além de trackings internos que sugerem uma leve reação do presidente.
Desgaste político e a crise no STF
O governo vinha enfrentando uma sequência de episódios negativos que dificultaram a imposição de uma agenda própria. Notícias envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís (Lulinha), o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, e a lobista Roberta Luchsinger, somadas à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dominaram o debate público.
A expectativa do Planalto agora se volta para a sessão desta terça-feira (15/9) no STF. O tribunal decidirá sobre o avanço de uma investigação contra Moraes, um evento considerado de alto risco político. Paralelamente, o governo observa com atenção os desdobramentos do caso Dark Horse, que investiga Flávio Bolsonaro, na esperança de que novas revelações possam equilibrar o desgaste político entre os dois lados da disputa.
Críticas internas e a gestão da campanha
A percepção de que a reeleição está ameaçada tem gerado cobranças internas sobre a estratégia eleitoral. Interlocutores próximos ao presidente apontam uma suposta lentidão de Lula em reagir à dimensão da crise e uma desconexão entre os indicadores econômicos apresentados pelo governo e a realidade vivida pela população no dia a dia.
A estrutura da campanha também é alvo de críticas. Nomes como o presidente do PT, Edinho Silva, e o ministro Sidônio Palmeira, responsável pela comunicação, têm sido questionados por setores do partido. A avaliação é de que a campanha demorou a encontrar o tom adequado para enfrentar a mudança de ambiente político, perdendo a vantagem confortável que detinha há cerca de um mês.
O desafio de retomar o favoritismo
O dado mais sensível para o governo é a mudança na percepção de agentes econômicos e do centro político. O favoritismo, que antes parecia consolidado, agora é visto por alguns setores como incerto, transformando a dinâmica da disputa. Para o Planalto, o desafio imediato não é apenas interromper a queda nas pesquisas, mas convencer o eleitorado e o mercado de que a candidatura de Lula mantém força competitiva para o pleito.
Perguntas frequentes
Qual foi o resultado da pesquisa Quaest?
A pesquisa mostrou Flávio Bolsonaro com 42% contra 40% de Lula em um eventual segundo turno, colocando o senador numericamente à frente pela primeira vez na campanha.
Por que o governo contesta os números?
Integrantes do governo argumentam que a pesquisa destoa de outros levantamentos, como o Datafolha e o BTG/Nexus, e estranham a forte vantagem de Flávio no Sudeste e sua melhora entre o eleitorado feminino.
O que é o caso Dark Horse?
Trata-se de uma investigação que apura o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro e suas conexões com Daniel Vorcaro, na qual o senador Flávio Bolsonaro passou a ser formalmente investigado.

