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PGR questiona atuação de André Mendonça em investigação que envolve Alexandre de Moraes

PGR questiona atuação de André Mendonça em investigação que envolve Alexandre de Moraes

PGR questiona atuação de André Mendonça em investigação que envolve Alexandre de Moraes

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a nulidade de uma investigação conduzida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou na identificação do ministro Alexandre de Moraes como destinatário de mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A manifestação de Gonet, apresentada nos autos, aponta que Mendonça teria invadido a competência do plenário da Corte ao determinar, de forma monocrática, que a Polícia Federal aprofundasse as investigações sobre pessoas com foro privilegiado.

Limites da competência monocrática

Segundo o entendimento da Procuradoria-Geral da República, a ordem dada à autoridade policial para investigar alvos específicos, sem provocação prévia do Ministério Público ou da própria polícia, excede os limites de atuação de um magistrado na fase pré-processual. Gonet argumenta que, mesmo que indícios surgissem casualmente, não caberia ao relator determinar o aprofundamento das pesquisas sobre um colega de tribunal, ato que deveria ser submetido ao colegiado.

Especialistas em Direito Penal reforçam que a atribuição para investigar e julgar ministros do STF é exclusiva do plenário, conforme estabelecido pelo regimento interno da Corte e pela Constituição Federal. O advogado Philipe Benoni ressalta que a jurisprudência do tribunal, consolidada desde 2007, exige que a supervisão de investigações contra autoridades com prerrogativa de foro siga a mesma competência do processo principal.

Controvérsia sobre atos investigatórios

A discussão jurídica também se volta para a natureza dos atos praticados por Mendonça. O advogado Fauzi Hassan Choke sustenta que a requisição de documentos e a solicitação de identificação de pessoas mencionadas em mensagens constituem atos investigatórios de ofício, o que seria vedado ao magistrado. Para ele, essa irregularidade processual teria o potencial de contaminar todos os elementos colhidos durante a diligência.

Por outro lado, há o debate sobre o que ocorre com as provas já coletadas. Juristas apontam que, caso o plenário reconheça a nulidade apenas da ordem de aprofundamento, o encontro fortuito de informações em fases anteriores e autorizadas da operação poderia ser preservado. Isso significaria que o reconhecimento de um vício processual não resultaria em imunidade automática, mas sim na devolução da competência decisória ao órgão correto.

Contexto de conflitos e próximos passos

O caso ganha complexidade devido a outros elementos citados por especialistas. O próprio ministro André Mendonça admitiu ter recebido Daniel Vorcaro em seu gabinete fora da agenda oficial, enquanto o procurador-geral Paulo Gonet é mencionado em conversas do banqueiro com terceiros. Essas circunstâncias levantam questionamentos sobre possíveis impedimentos e suspeições que ainda precisam ser esclarecidos pelo tribunal.

A assessoria do STF já havia informado anteriormente que mensagens de visualização única enviadas por Vorcaro em novembro de 2025 não estariam vinculadas a Moraes, ponto que diverge do relatório da Polícia Federal divulgado recentemente. O desfecho desta disputa jurídica depende agora de uma deliberação do plenário do Supremo, que deverá decidir sobre a validade da investigação e os próximos passos do inquérito.

Perguntas frequentes

Por que a investigação é considerada nula pela PGR?

A PGR argumenta que o ministro André Mendonça agiu monocraticamente ao ordenar investigações sobre autoridades com foro privilegiado, invadindo a competência exclusiva do plenário do STF.

O que acontece com as provas coletadas se a investigação for anulada?

Especialistas avaliam que, se apenas a ordem de aprofundamento for anulada, as provas obtidas anteriormente de forma lícita podem ser preservadas, mas a decisão final sobre o destino do inquérito cabe ao plenário.

Moraes pode continuar sendo investigado?

Sim, o reconhecimento de nulidade processual não gera imunidade. Caso existam indícios válidos, o rito correto seria a remessa do caso ao órgão competente para a devida supervisão.

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