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Pisa: 20 estados e DF têm desempenho em matemática abaixo do esperado para sua realidade

Pisa: 20 estados e DF têm desempenho em matemática abaixo do esperado para sua realidade

Pisa: 20 estados e DF têm desempenho em matemática abaixo do esperado para sua realidade

O impacto do contexto social no aprendizado

Uma análise detalhada dos resultados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) revela que o desempenho educacional brasileiro é fortemente influenciado pelas condições socioeconômicas de cada região. Mesmo ao ajustar as notas para considerar fatores como escolaridade dos pais, acesso à internet e recursos domésticos, 20 estados e o Distrito Federal apresentaram um rendimento em matemática inferior ao que seria esperado para seus respectivos perfis.

O levantamento foi realizado pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), a pedido do portal g1, utilizando uma escala padronizada que toma como referência o desempenho dos países membros da OCDE. A avaliação foca em estudantes de 15 anos e busca entender como as políticas públicas estão convertendo recursos em aprendizagem efetiva.

Destaques e contrastes regionais

O Paraná consolidou-se como o principal destaque positivo do país. É o único estado brasileiro que superou as expectativas nas três áreas avaliadas: matemática, leitura e ciências. Em contrapartida, estados do Norte, como Roraima, concentram os resultados mais preocupantes, ocupando as últimas posições relativas em todas as disciplinas.

O cenário nordestino apresenta um contraponto interessante. Estados como Ceará e Piauí, que possuem indicadores socioeconômicos mais baixos, superam consistentemente as projeções. O Ceará, por exemplo, obteve 363,3 pontos em matemática, um resultado que, embora baixo em números absolutos, coloca o estado como o segundo melhor do Brasil quando o recorte socioeconômico é aplicado.

O desafio da matemática e a desigualdade

Especialistas apontam que a dificuldade em matemática é cumulativa. Segundo Katia Smole, diretora do Instituto Reúna, a falta de base em conceitos como frações e proporções impede o avanço para a álgebra e temas complexos. Esse gargalo é agravado em estados como o Rio de Janeiro, que, apesar de possuir um dos maiores PIB’s do país, apresenta resultados aquém do esperado, evidenciando uma falha na conversão de investimento em qualidade educacional.

Por outro lado, São Paulo, que lidera em números absolutos, perde fôlego ao ser analisado sob a ótica socioeconômica. O estado apresenta um desempenho que está praticamente em linha com o que seria previsto para o seu contexto, sem superar significativamente as expectativas. Enquanto isso, estados como Minas Gerais e Ceará destacam-se em leitura, demonstrando que políticas educacionais focadas na alfabetização e interpretação de texto podem reduzir o peso das desigualdades sociais.

Metodologia e a década de resultados

O indicador socioeconômico utilizado pelo Iede compõe três pilares: a escolaridade dos pais, o status ocupacional dos responsáveis e a disponibilidade de recursos e bens nas residências. A análise desses dados é fundamental para que gestores públicos entendam se a rede de ensino está entregando o máximo potencial possível dentro de sua realidade local.

Ao comparar os dados da última década, os pesquisadores alertam para a cautela. Devido às margens de erro amostrais da OCDE, a confirmação estatística de avanços ou retrocessos entre 2015 e 2025 é complexa. A sobreposição de intervalos de confiança indica que, embora existam variações, é preciso rigor técnico para afirmar que houve mudanças estruturais profundas no aprendizado dos estudantes brasileiros ao longo desse período.