A Argentina enfrenta um novo momento de tensão social que coloca à prova a gestão do presidente Javier Milei. Relatos de clubes de troca, filas em sopas comunitárias e o aumento do endividamento familiar para a compra de itens básicos sinalizam que o cenário econômico do país atravessa uma fase de instabilidade, com economistas projetando um aumento nos índices oficiais de pobreza.
Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) indicaram que a pobreza atingiu 32,3% da população no primeiro semestre de 2026, um avanço em relação aos 28,2% registrados no período anterior. Estimativas do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica da Argentina (UCA) sugerem que esse patamar pode chegar a 35% até o final do ano, revertendo parte da queda observada em 2025.
Desafios sociais e o desgaste da popularidade
O impacto das medidas de austeridade, que incluem cortes em salários do setor público e a redução de subsídios para serviços essenciais, tem pressionado o orçamento das famílias. Em localidades como Villa Astolfi, na periferia de Buenos Aires, práticas de escambo voltaram a ser comuns, evidenciando a dificuldade de acesso a produtos básicos como óleo, açúcar e farinha.
Esse cenário de dificuldades financeiras reflete diretamente na avaliação do governo. Pesquisas de opinião, como a realizada pela AtlasIntel em setembro, apontam que a desaprovação de Milei entre os eleitores de baixa renda — aqueles que recebem até US$ 650 mensais — atingiu quase 70%. O índice de aprovação nesse segmento caiu para menos de 30%, um recuo significativo em comparação aos 37% registrados um ano antes.
A estratégia econômica do governo
Apesar da pressão social e da queda na popularidade, o governo de Javier Milei mantém a defesa de sua agenda econômica. A administração argumenta que o rigor fiscal é o único caminho para eliminar déficits orçamentários crônicos e estabilizar a economia a longo prazo. O objetivo central é atrair investidores e criar condições para um crescimento sustentável, superando o histórico de crises inflacionárias do país.
No entanto, a realidade do setor privado mostra sinais de estagnação. O desemprego subiu para 7,9% no segundo trimestre de 2026, e o emprego no setor privado acumula 13 meses de queda. Analistas observam que, embora a inflação tenha sido controlada, o ganho de poder de compra das famílias estagnou, tornando a criação de empregos o principal desafio para o sucesso do projeto político de Milei rumo à eleição presidencial de 2027.
Perguntas frequentes
Qual é a previsão para a taxa de pobreza na Argentina?
Estimativas da UCA sugerem que a taxa de pobreza pode chegar a 35% até o final de 2026, revertendo a queda observada no ano anterior.
Como a popularidade de Milei foi afetada?
A desaprovação de Milei entre eleitores de baixa renda subiu para quase 70%, segundo dados de setembro, indicando um desgaste na base que foi fundamental para sua eleição.
Qual a justificativa do governo para a austeridade?
O governo sustenta que as medidas são necessárias para equilibrar o orçamento, eliminar déficits e criar bases sólidas para o crescimento econômico sustentável.
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