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Premiê do Canadá revela preparo para risco extremo de ação militar dos EUA

Premiê do Canadá revela preparo para risco extremo de ação militar dos EUA

Premiê do Canadá revela preparo para risco extremo de ação militar dos EUA

Estratégia de defesa diante de tensões com Washington

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, revelou que o governo canadense dedicou o último ano a um planejamento rigoroso para enfrentar o que classificou como “risco extremo”: a possibilidade de uma ação militar ordenada pelo presidente Donald Trump contra o território canadense. Em entrevista concedida ao The New York Times em Nova York, o líder canadense descreveu a medida como um exercício de gestão de riscos, ressaltando que, embora não seja o cenário principal, seria irresponsabilidade institucional não se preparar para tais eventualidades.

Apesar da retórica agressiva e das ameaças de Trump, que chegou a sugerir a anexação do Canadá como um 51º estado americano, Carney mantém um canal de comunicação aberto com o chefe da Casa Branca. Segundo o premiê, o diálogo entre os dois permanece frequente, mesmo após o colapso das negociações comerciais ocorrido em agosto. Carney define a relação bilateral como tensa, porém eficiente, baseada na franqueza de ambos os lados.

Redução da dependência tecnológica e estratégica

Como resposta à instabilidade política, o Canadá tem implementado uma política de diversificação sistemática para reduzir sua vulnerabilidade frente a pressões de Washington. O plano estratégico abrange desde a infraestrutura de satélites até a modernização das forças aéreas. Carney confirmou que o país está se afastando de tecnologias como a Starlink, da SpaceX, citando preocupações com a autonomia estratégica após episódios em que o serviço foi limitado em zonas de conflito, como na Ucrânia.

O governo canadense também avalia alternativas à compra de caças F-35, buscando parceiros que ofereçam maior segurança operacional. Carney defende que, ao diversificar seus fornecedores e parceiros comerciais, o Canadá se tornará um aliado mais robusto e estável para os próprios Estados Unidos a longo prazo, independentemente de quem ocupe a presidência americana.

Integração econômica e o futuro das relações comerciais

A despeito das disputas recentes, o primeiro-ministro enfatizou que a integração econômica entre as duas nações é profunda e histórica. Ele criticou a tentativa de repatriar toda a produção industrial para solo americano, citando o setor automotivo como exemplo de uma cadeia produtiva que funciona de forma integrada há décadas. Para Carney, o isolacionismo econômico não faz sentido prático para a realidade da América do Norte.

O premiê mantém a expectativa de que um acordo comercial mutuamente benéfico possa ser reconstruído. Um dos pontos centrais dessa pauta é o fornecimento de potassa, insumo essencial para fertilizantes, onde o Canadá detém as maiores reservas mundiais. Embora Trump tenha cogitado buscar fornecedores alternativos, como a Belarus, Carney argumenta que a cooperação regional é o caminho mais lógico para a segurança alimentar e energética do continente.

Visão sobre o sistema financeiro global

Além das questões bilaterais, Mark Carney manifestou preocupação com a dependência global exclusiva do dólar americano. Ele defende a transição para um modelo financeiro multipolar, com a utilização de diversas moedas de reserva internacionais. Para o premiê, essa diversificação é uma medida necessária de prudência para garantir maior flexibilidade e soberania econômica aos países frente a um cenário geopolítico cada vez mais imprevisível.

Para mais informações sobre o cenário geopolítico global, acompanhe as atualizações no Imprensa 24h.