A primavera tem início oficial no Brasil nesta terça-feira (22), às 21h05, marcando a transição entre os períodos seco e chuvoso em grande parte do território nacional. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a estação, que se estende até o dia 21 de dezembro, às 18h50, será caracterizada pelo aumento gradual das temperaturas e da umidade.
O fenômeno climático El Niño, que já vinha sendo monitorado ao longo do ano, exerce influência direta sobre o comportamento do tempo neste trimestre. A projeção do INMET indica que o fenômeno pode atingir um estágio de fortalecimento, exigindo atenção redobrada quanto às condições meteorológicas e aos eventos climáticos extremos durante os próximos meses.
Distribuição de chuvas e umidade
A nova estação atua como um divisor de águas para o regime hídrico brasileiro. Com o fluxo de umidade vindo da Amazônia ganhando força, espera-se o avanço das chuvas sobre o Centro-Oeste, Sudeste e parte do centro-sul da Região Norte. Este movimento é fundamental para o início do plantio das principais culturas de verão no país.
Por outro lado, o cenário é distinto no norte do Nordeste. Em áreas como o norte do Piauí e o noroeste do Ceará, a tendência é de volumes de precipitação mais contidos, com acumulados climatológicos que podem ficar abaixo dos 100 milímetros.
Tempestades e instabilidades sazonais
A primavera traz consigo a possibilidade de formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), sistema que costuma provocar chuvas persistentes no Sudeste, Centro-Oeste, Acre e Rondônia. Na Região Sul, o monitoramento se volta para os Complexos Convectivos de Mesoescala (CCM).
Esses sistemas meteorológicos são frequentemente associados a episódios de chuvas intensas, rajadas de vento, descargas elétricas e a eventual queda de granizo. A combinação entre o ar quente e a passagem de frentes frias cria um ambiente propício para a formação rápida de tempestades severas.
Elevação das temperaturas
O encerramento do inverno dá lugar a um aquecimento progressivo. As médias térmicas devem superar os 28 °C nas regiões Norte e Nordeste, além de pontos isolados do interior do país. Esse aumento de temperatura, aliado à maior evapotranspiração, impacta diretamente a umidade do solo.
O desconforto térmico tende a ser mais frequente com a intensificação de ondas de calor. A transição sazonal exige, portanto, um acompanhamento constante dos boletins meteorológicos, dado que o El Niño potencializa a variabilidade do clima e a possibilidade de eventos extremos ao longo de outubro e novembro.

