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Produtividade no Brasil: o que as lições de Daron Acemoglu revelam para o futuro

Produtividade no Brasil: o que as lições de Daron Acemoglu revelam para o futuro

Produtividade no Brasil: o que as lições de Daron Acemoglu revelam para o futuro

O desafio da produtividade como motor de crescimento

O aumento da produtividade no Brasil é apontado por especialistas como o pilar central para garantir um crescimento econômico sustentável, elevar a competitividade das empresas nacionais e melhorar a qualidade de vida da população. O consenso entre economistas é claro: elevar a produtividade permite que o país cresça sem gerar pressões inflacionárias, possibilitando o aumento dos salários reais e reduzindo a dependência exclusiva da expansão da força de trabalho.

Atualmente, o Brasil enfrenta dois fatores críticos que tornam esse debate ainda mais urgente: o fim do bônus populacional e a rápida ascensão da inteligência artificial. O bônus populacional, período em que a proporção de pessoas em idade ativa é maior em relação à população total, tem previsão de término por volta de 2035. A partir desse marco, o desenvolvimento do país dependerá quase inteiramente da capacidade de produzir mais com os mesmos recursos.

Inteligência artificial e o dilema do mercado de trabalho

A revolução tecnológica imposta pela inteligência artificial traz um dilema central: a tecnologia atuará como substituta ou como complementar ao trabalho humano? A economista Solange Srour destaca que, se a IA substituir a mão de obra em larga escala, o país enfrentará o desafio de elevar gastos com programas sociais, perdendo parte dos ganhos de eficiência. Caso a tecnologia seja complementar, o potencial de crescimento da produtividade será exponencial.

Para navegar por esse cenário, especialistas defendem medidas estruturais como a melhoria na qualidade da educação e qualificação profissional, o acesso facilitado a dados de qualidade, investimentos robustos em infraestrutura digital e a maior abertura comercial. Contudo, essas ações dependem de um ambiente institucional que estimule a inovação contínua e a chamada “destruição criativa”, conceito clássico do economista Joseph Schumpeter.

Instituições inclusivas versus extrativas

O economista Daron Acemoglu, em sua obra Why Nations Fail, argumenta que a prosperidade das nações está intrinsecamente ligada à qualidade de suas instituições. Países prósperos, segundo o Nobel, mantêm instituições econômicas inclusivas que protegem a propriedade intelectual, garantem a concorrência e incentivam a inovação. Esses sistemas são sustentados por bases políticas sólidas, com rotatividade de poder e previsibilidade jurídica.

No polo oposto estão as instituições extrativas, onde elites utilizam o Estado para extrair riqueza em benefício próprio, desestimulando a inovação por medo de que novas tecnologias ameacem sua dominação. Em tais ambientes, a ausência de regras claras de proteção à propriedade intelectual e a falta de concorrência impedem que o aumento da produtividade se torne uma realidade duradoura.

O caminho para a prosperidade brasileira

Para que o Brasil se consolide no grupo de nações prósperas, o fortalecimento de um sistema democrático inclusivo é fundamental. Isso envolve assegurar regras previsíveis para todos os agentes econômicos, promover a concorrência e garantir a independência de órgãos fiscalizadores e da imprensa. A adoção de metodologias como a análise de impacto regulatório e o estabelecimento de agendas críveis são passos necessários para reduzir a insegurança jurídica.

Há mais de uma década, Acemoglu via o Brasil com otimismo, classificando o país como uma nação em trajetória de inclusão institucional. Hoje, o país encontra-se em uma encruzilhada. O sucesso futuro dependerá da capacidade de superar a influência de grupos historicamente entrincheirados no Estado, priorizando normas que estimulem o avanço tecnológico e o desenvolvimento econômico inclusivo.