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Professora chora a morte de mais de 200 alunos após terremotos em La Guaira

Professora chora a morte de mais de 200 alunos após terremotos em La Guaira

Professora chora a morte de mais de 200 alunos após terremotos em La Guaira

A dor de uma educadora diante da perda coletiva

Para a professora Madeleine Cova, o retorno às salas de aula em La Guaira, no norte da Venezuela, não marca apenas o início de um novo ciclo letivo, mas o enfrentamento de uma ausência avassaladora. Após o duplo terremoto que atingiu a região em 24 de junho, a docente, que lecionava em uma escola privada e em uma instituição pública, viu sua rotina ser transformada pelo luto de ter perdido mais de 200 alunos.

“Muitas pessoas não entendem por que me sinto assim, se a minha família está bem, se meus filhos estão bem, se comigo não aconteceu nada”, relata Madeleine. “Mas estou sempre triste. É que eles não entendem que eu estava muito envolvida com as minhas crianças.” O sentimento, que ela descreve como um luto profundo, é compartilhado com pais e mães que também perderam seus filhos na tragédia, criando uma rede de consolo mútuo em meio ao cenário de destruição.

O impacto nas escolas e a redução das turmas

O impacto do desastre natural foi devastador para o sistema educacional local. Segundo dados oficiais, o governo venezuelano informou que 11 escolas desabaram e mais de mil unidades sofreram danos estruturais, afetando cerca de 86 mil estudantes. Em La Guaira, onde Madeleine atua, a realidade nas salas de aula mudou drasticamente.

Na escola pública Juan José Mendoza, onde a professora coordena o segundo ano do ensino médio, a redução do corpo discente é um reflexo direto da tragédia. “Tínhamos cerca de 22 seções de educação secundária geral. Destas 22 seções, preenchemos apenas cinco”, explica. Além das mortes confirmadas, muitas famílias deixaram a região em busca de refúgio em outros estados, esvaziando as salas que antes eram repletas de vida.

A pedagogia do afeto em meio à tragédia

Para Madeleine, a relação com seus alunos sempre transcendeu o conteúdo acadêmico. Ela descreve a escola como seu “lugar feliz”, onde os intervalos eram dedicados a ouvir os problemas, as metas e as angústias dos adolescentes. Essa proximidade, que ela chama de “pedagogia do amor”, faz com que a perda seja sentida como uma parte física de si mesma.

A professora enfrenta agora o peso da culpa, um sentimento comum em sobreviventes de grandes catástrofes. “Eu me pergunto: por que, naquele feriado, decidi descansar e não inventar algo com eles?”, questiona. Mesmo diante da dor, ela mantém viva a memória de seus estudantes através de homenagens, como vídeos publicados em redes sociais, onde dedica canções e recorda os momentos de convivência que, para ela, eram a essência de sua profissão.

O legado de uma relação inesquecível

A lembrança de um grupo específico de alunos, que a comparou a uma borboleta por sua capacidade de inspirar sem perceber a própria beleza, serve como um lembrete do impacto que um educador pode ter na vida de um jovem. Madeleine destaca que, embora o conteúdo acadêmico seja importante, o que realmente fica é a forma como os alunos são tratados.

“Talvez eles esqueçam um assunto ou outro, mas o que nunca irão esquecer é como os tratamos”, afirma. Enquanto a reconstrução física das escolas avança, a professora segue em seu processo de luto, buscando forças para continuar lecionando e honrando a memória daqueles que, para ela, eram como filhos.

Perguntas frequentes

Qual foi o impacto dos terremotos nas escolas de La Guaira?

O desastre deixou 11 escolas destruídas e mais de mil unidades com danos estruturais, forçando a realocação de milhares de estudantes e resultando em uma drástica redução do número de alunos nas salas de aula.

Quantos alunos a professora Madeleine Cova perdeu?

A professora estima que, entre a escola privada onde lecionava e a escola pública onde atua, mais de 230 de seus alunos faleceram e outros 200 permanecem desaparecidos.