O setor de robótica global vive um momento de transição acelerada. Dados recentes da Federação Internacional de Robótica (IFR) revelam que cerca de 7 mil robôs humanoides foram comercializados em 2025 para aplicações industriais e serviços profissionais. Embora o volume ainda seja modesto, as projeções de mercado indicam uma mudança drástica de escala para os próximos anos.
Segundo estimativas do Bank of America Global Research, a expectativa é que o número de entregas atinja 90 mil unidades já em 2026. A trajetória de crescimento aponta para um cenário de 1,2 milhão de robôs humanoides em operação até 2030, consolidando a tecnologia como uma peça-chave na automação global.
Critérios de classificação e o papel da IFR
Para compor essas estatísticas, a IFR estabeleceu critérios técnicos específicos. Um robô é classificado como humanoide quando apresenta aparência semelhante à humana e possui capacidade de operar de forma autônoma em ambientes projetados para pessoas. Curiosamente, a presença de pernas não é um requisito obrigatório para essa definição.
A entidade, que monitora o setor de robótica há três décadas, passou a coletar dados específicos sobre essa categoria apenas recentemente. O levantamento exclui equipamentos destinados ao consumo final, uso militar ou aplicações médicas, focando exclusivamente no potencial produtivo e profissional das máquinas.
Desafios e aplicações atuais
É importante notar que as 7 mil unidades vendidas em 2025 não estão, em sua totalidade, realizando tarefas produtivas em larga escala. Susanne Bieller, secretária-geral da IFR, explicou em entrevista à Reuters que grande parte desse volume foi adquirida por instituições de pesquisa e empresas focadas em treinar modelos de inteligência artificial.
O estágio atual ainda coloca os humanoides como uma fração pequena diante da robótica tradicional. Para efeito de comparação, o mercado instalou 542 mil robôs industriais convencionais em 2024, além de 199 mil robôs de serviço voltados para setores como hotelaria, transporte e limpeza.
China lidera demonstrações de capacidade
A China, que já detém o posto de maior mercado mundial de robôs industriais, tem sido o principal palco para demonstrações práticas da tecnologia. Recentemente, o país exibiu robôs humanoides realizando atividades complexas, como corridas e competições de boxe, evidenciando o avanço na agilidade e no controle motor dessas máquinas.
Com o aumento dos investimentos e o aprimoramento constante da inteligência artificial, a expectativa é que a transição de ambientes de testes controlados para o cotidiano urbano ocorra de forma gradual. O setor aguarda agora os próximos passos das fabricantes para entender como a integração desses robôs impactará a força de trabalho e a eficiência operacional em diferentes indústrias ao redor do mundo.
Perguntas frequentes
O que define um robô humanoide para a IFR?
Para ser classificado como humanoide, o robô deve ter aparência humana e operar de forma autônoma em ambientes humanos. O uso de pernas não é obrigatório.
Por que o número de vendas em 2025 é considerado baixo?
Muitas unidades foram compradas para fins de pesquisa e desenvolvimento de inteligência artificial, e não para tarefas produtivas imediatas nas indústrias.
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