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Marina Iris resgata pérolas de Wilson Moreira no álbum Banzo batucada

Marina Iris resgata pérolas de Wilson Moreira no álbum Banzo batucada

Marina Iris resgata pérolas de Wilson Moreira no álbum Banzo batucada

A cantora Marina Iris celebra o legado de um dos maiores nomes do samba carioca com o lançamento do álbum Banzo batucada, que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira, 25 de setembro. O projeto é uma homenagem profunda a Wilson Moreira (1936–2018), compositor que completaria 90 anos em dezembro e cuja obra, embora fundamental, muitas vezes permanece restrita aos círculos mais conhecidos do gênero.

Um mergulho no repertório raro de Wilson Moreira

Diferente de tributos convencionais, o novo trabalho de Marina Iris evita os sucessos óbvios da parceria entre Wilson Moreira e Nei Lopes, como Gostoso veneno e Senhora liberdade. Sob direção artística da própria cantora e produção musical de Alaan Monteiro e Alessandro Cardozo, o álbum busca composições menos exploradas, resgatando verdadeiras joias do baú do sambista.

Entre os destaques está o medley que une Coité, cuia e Meu baio e meus balaios, resgatando sambas que ganharam voz originalmente com Roberto Ribeiro. A curadoria demonstra o conhecimento de causa de Marina, que opta por uma interpretação reverente, mantendo a força atemporal das composições sem recorrer a modernizações artificiais.

Colaborações e conexões musicais

O álbum é marcado por encontros significativos que reforçam a importância de Wilson Moreira na música brasileira. Teresa Cristina participa na releitura de Alegria perdida (Yoyô de yayá), enquanto Zeca Pagodinho se une à cantora em Moenda velha, com arranjo assinado por Pretinho da Serrinha. O lirismo de Jorge Aragão também se faz presente na revisita à faixa Quintal do céu.

A diversidade sonora do projeto se estende a participações como a de Chico César e Juliana Linhares em Canteiro de obra, um tema que aborda a migração nordestina e que dialoga com o jongo Irmão Café, gravado com a participação especial de Nei Lopes e do grupo Terreiro de Crioulo. A obra completa, disponível em Biscoito Fino, reafirma o papel de Marina Iris como uma guardiã da tradição do samba.

Homenagens e novas composições

Além de revisitar o catálogo de Wilson Moreira, o disco apresenta duas faixas inéditas criadas especialmente para a celebração: Mestre Wilson soberano, de Manu da Cuíca e Marina Iris, e o partido alto Moringa do Moreira, assinado por Marquinho China e Luiz Carlos Máximo. O encerramento do álbum, inclusive, traz versos improvisados que celebram a vivacidade das rodas de samba.

Com 14 faixas e 18 sambas, Banzo batucada não é apenas um registro discográfico, mas um ato de preservação cultural. Ao iluminar a trajetória de um compositor de alta estirpe, Marina Iris entrega um trabalho sólido que convida o público a redescobrir a riqueza poética e musical de Wilson Moreira.