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Wálter Maierovitch cobra reação do Senado contra Paulo Gonet por relação com Vorcaro

Wálter Maierovitch cobra reação do Senado contra Paulo Gonet por relação com Vorcaro

Wálter Maierovitch cobra reação do Senado contra Paulo Gonet por relação com Vorcaro

O jurista e desembargador aposentado Wálter Maierovitch utilizou o programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (22), para tecer duras críticas à conduta do atual procurador-geral da República, Paulo Gonet. O centro da controvérsia envolve a proximidade entre o chefe do Ministério Público Federal e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, investigado em diversos processos.

Proximidade e quebra de decoro

A polêmica ganhou força após a circulação de uma fotografia, datada de abril de 2024, na qual Gonet aparece consumindo uísque e charutos ao lado de Vorcaro. Embora o procurador-geral tenha confirmado a veracidade do registro e classificado o encontro como uma interação “brevíssima e banal”, Maierovitch refutou a justificativa. Para o jurista, a postura de Gonet configura uma clara “quebra de decoro”.

“Diga-me com quem andas que te direi quem és. À mulher de César, não basta ser, precisa parecer. Tem que ter dignidade, tem que ter decoro”, afirmou o convidado durante a entrevista. Segundo Maierovitch, autoridades de alto escalão, como procuradores e magistrados, devem evitar qualquer tipo de convívio social com figuras sob investigação, sob o risco de comprometer a imagem e a credibilidade da instituição que representam perante a sociedade.

Cobrança por postura do Senado

Durante o debate, o jurista questionou a inércia do Poder Legislativo diante do episódio. Maierovitch lembrou que a Constituição Federal confere ao Senado Federal a competência para fiscalizar e, eventualmente, cassar o mandato do procurador-geral da República. “O PGR pode tomar um cartão vermelho do Senado. O que o Senado tem feito diante disso? Nada”, pontuou.

O convidado ainda traçou um paralelo crítico entre a atuação de Gonet e a postura de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Maierovitch argumentou que, em certos momentos, figuras de cúpula do Judiciário e do Ministério Público parecem se despir de suas funções institucionais para atuar em defesa de interesses particulares, o que ele classificou como uma tentativa de “passar pano em escândalos”.

Desdobramentos no Ministério Público

Apesar da ausência de uma resposta política imediata por parte do Congresso, o caso deve passar por análise interna. Está agendada para o próximo dia 25 uma audiência no Conselho Superior do Ministério Público (CSMP), órgão responsável pelo controle interno da instituição, para deliberar sobre a conduta de Paulo Gonet.

A bancada de entrevistadores do Roda Viva contou com a presença de jornalistas e acadêmicos, incluindo Fábio Zanini, Fausto Macedo, Luisa Moraes Abreu Ferreira, Luiz Megale, Michelle Asato e Milton Jung, que aprofundaram a discussão sobre os limites éticos e a independência do Ministério Público no cenário político atual.