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Brasil busca reter valor na cadeia de terras raras com novos incentivos fiscais

Brasil busca reter valor na cadeia de terras raras com novos incentivos fiscais

Brasil busca reter valor na cadeia de terras raras com novos incentivos fiscais

O desafio de transformar a riqueza geológica em desenvolvimento industrial

O Brasil detém uma das maiores reservas de terras raras do mundo, uma herança geológica valiosa que, contudo, ainda é majoritariamente exportada como matéria-prima bruta. Enquanto economias globais, como a dos Estados Unidos, intensificam aportes financeiros — como o recente investimento de US$ 750 milhões na operação da Serra Verde, em Goiás — o país enfrenta o desafio de reter as etapas de maior valor agregado, como o refino e a fabricação tecnológica.

A estratégia atual de grandes potências é garantir o fornecimento para suas cadeias industriais, muitas vezes mantendo o processamento fora do país de origem do minério. Para o Brasil, a questão central não é apenas a extração, mas como a política fiscal pode induzir empresas a instalarem plantas de beneficiamento e separação em território nacional, evitando o ciclo histórico de exportar recursos e importar tecnologia.

O papel do PL 2.780/2024 na política industrial

O PL 2.780/2024, aprovado pela Câmara e em tramitação no Senado, surge como uma tentativa de mudar esse cenário. A proposta prevê créditos fiscais de até 20% sobre dispêndios com beneficiamento e transformação mineral, com um teto de R$ 5 bilhões entre 2030 e 2034. O benefício, estruturado como crédito de CSLL, é condicionado a procedimentos concorrenciais e foca na agregação de valor.

Especialistas apontam que o sucesso da medida dependerá da clareza nos critérios de “valor econômico substancial”. Se o incentivo não for capaz de compensar o custo de instalar uma planta de separação e refino no Brasil frente a locais que já possuem escala e domínio tecnológico, o país corre o risco de conceder renúncia fiscal sem obter o retorno esperado em industrialização.

A transição da política de incentivos e o futuro do setor

Com as mudanças no sistema tributário brasileiro, especialmente o fim do ICMS e a implementação de novas regras na legislação mineral, a atração de investimentos migrou para a tributação da renda. A ausência de substitutos para os antigos benefícios estaduais torna o crédito de CSLL uma ferramenta central, exigindo uma relação mais direta entre a renúncia fiscal e o resultado prático na cadeia produtiva.

Um ponto de atenção é a liquidez desses créditos. Projetos de mineração exigem alto investimento inicial e levam anos para gerar lucro. Historicamente, benefícios condicionados ao lucro tributável chegam tardiamente às empresas. A possibilidade de ressarcimento em dinheiro, prevista no projeto, é um diferencial importante, mas sua agilidade será determinante para a viabilidade dos projetos.

O que define o sucesso da estratégia nacional

O sucesso do programa não será medido pelo volume de anúncios de investimento, mas pela quantidade de etapas produtivas que migrarão para o Brasil. A política industrial, neste caso, precisa ser desenhada para evitar que o Estado abra mão de receita sem garantir a instalação de novas capacidades técnicas. O país possui o minério, mas a riqueza real dependerá da capacidade de dominar as etapas que carregam tecnologia e margem de lucro.

Perguntas frequentes

Qual é o objetivo principal do PL 2.780/2024?

O projeto visa incentivar a industrialização do setor mineral brasileiro, oferecendo créditos fiscais para empresas que realizem etapas de beneficiamento e refino no país.

Como o incentivo fiscal está estruturado?

O benefício é concedido via crédito de CSLL, correspondente a até 20% dos gastos com transformação mineral, condicionado à agregação de valor real ao produto.

Por que a localização do refino é importante?

O refino e a separação de terras raras são as etapas que concentram maior valor agregado e tecnologia, garantindo que a riqueza gerada pelo minério permaneça no Brasil.