Impasse jurídico na reta final da campanha
O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, trava uma corrida contra o tempo no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Em campanha para deputado estadual, o político busca uma definição sobre o registro de sua candidatura antes do pleito de 4 de outubro. O cenário é de incerteza jurídica, agravado pelo pedido do Ministério Público Eleitoral para que ele seja impedido de concorrer, sob a suspeita de vínculos com o crime organizado — alegação que o candidato nega categoricamente.
A situação de Canella ganhou contornos críticos após ele ter sido preso em flagrante pela Polícia Federal em julho, portando um fuzil. O episódio gerou um desgaste político significativo, forçando o recuo de sua pré-candidatura ao Senado pela chapa do PL e a mudança de estratégia para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Busca por celeridade no julgamento
Embora o prazo final para a conclusão da análise dos registros fosse 14 de setembro, o TRE-RJ optou por solicitar informações complementares a órgãos como o Supremo Tribunal Federal (STF), Polícia Federal e Ministério Público. A ausência de respostas, especialmente por parte do STF, onde tramita o processo originário da prisão, tem retardado o julgamento definitivo.
Em ofício protocolado na segunda-feira, 28, a defesa de Canella argumentou que não existem mais pendências que justifiquem o adiamento. Os advogados sustentam que o acervo probatório está completo e que a manutenção da indefinição prejudica o exercício da campanha, gerando uma insegurança jurídica desnecessária para o pleito.
Impacto das prisões de aliados
A urgência da defesa também reflete o receio de novos desdobramentos nas investigações. Na última semana, o vereador carioca Jorge Canella, aliado político do ex-prefeito, foi preso pela Polícia Federal com fuzis e submetralhadoras. O episódio aumentou a pressão sobre a candidatura de Márcio Canella, que tenta desvincular sua imagem das ações criminais atribuídas a terceiros.
Em sua manifestação ao Tribunal, o candidato reforçou que a proximidade política com o vereador preso não pode ser interpretada como um vínculo criminoso. Segundo ele, a tentativa de associar fatos imputados a aliados à sua própria conduta é uma manobra que não encontra respaldo legal, buscando garantir que seu nome permaneça nas urnas até que haja uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral.

