O mercado de trabalho brasileiro apresentou um desempenho acima do esperado em agosto de 2026, com a criação de 165.827 novos postos de trabalho com carteira assinada. Os números, divulgados nesta quarta-feira (29/9) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por meio do Novo Caged, revelam um cenário de aquecimento econômico que superou as projeções de especialistas, que estimavam a abertura de 80 mil a 100 mil vagas.
Setores que impulsionaram a geração de empregos
O saldo positivo de agosto foi sustentado por um crescimento generalizado em todos os cinco grandes grupos de atividades econômicas. O setor de serviços manteve o protagonismo, sendo responsável pela criação de 110.346 novos postos, um avanço de 0,47%. O desempenho foi alavancado principalmente pelas áreas de educação, saúde humana, transportes, armazenagem e correios.
A construção civil também apresentou números expressivos, contribuindo com 20.848 contratações, impulsionada por obras de infraestrutura e serviços especializados. Na sequência, a indústria geral adicionou 16.613 postos, o comércio registrou saldo de 16.565 contratações e a agropecuária fechou o período com 1.452 novos vínculos formais.
Perfil das contratações e desempenho regional
A dinâmica do mercado de trabalho em agosto revelou que a população de até 24 anos foi a principal beneficiada pelas novas oportunidades, acumulando um saldo de 128.997 postos. Em relação ao gênero, houve um equilíbrio, com as mulheres ocupando 83.989 das novas vagas, enquanto os homens ficaram com 81.838 postos.
Regionalmente, 24 das 27 unidades da federação registraram saldo positivo. São Paulo liderou o ranking absoluto com 42.533 novas vagas, seguido por Rio de Janeiro (20.886) e Pernambuco (13.428). Em termos relativos, a Paraíba destacou-se com um crescimento de 1,59%. Apenas três estados — Rondônia, Rio Grande do Sul e Espírito Santo — apresentaram leve retração no número de postos de trabalho.
Contexto econômico e salarial
O salário médio real de admissão fixou-se em R$ 2.410,74. Embora tenha apresentado uma variação negativa de 0,03% em relação a julho, o valor representa uma valorização de 1,02% quando comparado ao mesmo período de 2025. O nível de escolaridade foi um diferencial, com profissionais que possuem o ensino médio completo ocupando 100.939 das posições abertas.
Com esse resultado, o Brasil acumula a criação de 1.134.033 vagas formais nos primeiros oito meses de 2026, um crescimento de 2,41% no ano. Nos últimos 12 meses, a economia brasileira gerou 887.708 novos postos, consolidando uma trajetória de expansão no emprego formal. Para acompanhar as movimentações do setor, profissionais podem consultar o JOTA PRO Trabalhista, que analisa as principais tendências do mercado e do Judiciário.
Próximos passos
A tendência de crescimento observada nos últimos meses sugere uma estabilização positiva na oferta de empregos. O mercado agora aguarda os dados de setembro para verificar se o ritmo de contratações será mantido ou se haverá uma desaceleração sazonal típica do final do ano, mantendo o foco na manutenção da taxa de ocupação em setores estratégicos como serviços e indústria.

