A transição para um modelo econômico sustentável
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, destacou durante o evento JOTA Global, realizado em Nova York, que a agenda climática superou a fase de ser apenas uma pauta ambiental. Segundo o diplomata, o enfrentamento da crise climática exige, fundamentalmente, uma abordagem econômica. O encontro reuniu líderes globais e tomadores de decisão brasileiros para debater temas estratégicos como transição energética, inteligência artificial e o futuro da América do Sul.
Corrêa do Lago enfatizou que a presidência brasileira da conferência climática, realizada em 2025 em Belém, mudou seu foco. Em vez de se perder em negociações intermináveis por novos acordos, o esforço atual está concentrado na implementação prática de decisões que já foram aprovadas por consenso. “Só a economia pode resolver a crise climática”, afirmou o diplomata, posicionando o desenvolvimento econômico como o eixo central para a mitigação dos danos ambientais.
Desafios e otimismo realista
Ao ser questionado sobre a confiança na resposta global ao aquecimento do planeta, especialmente em um cenário geopolítico complexo, o presidente da COP30 declarou-se um “otimista realista”. Ele criticou a narrativa de que a crise climática seria um destino inevitável, argumentando que esse discurso desestimula ações concretas. Para o diplomata, é essencial resgatar a capacidade de mitigação das emissões sem negligenciar a adaptação necessária às mudanças que já estão em curso.
O diplomata também abordou a relação entre crises de segurança e a agenda ambiental. Ao citar o fechamento do Estreito de Ormuz, Corrêa do Lago esclareceu que a guerra precedeu o bloqueio, ilustrando como conflitos de segurança se somam à urgência climática, mesmo quando não possuem uma origem comum. Essa visão reforça a necessidade de integrar a estabilidade econômica e a segurança energética às metas de sustentabilidade.
Roteiro para a COP31 e o papel do Brasil
Sobre as expectativas para a COP31, que ocorrerá em novembro de 2026 na Turquia, o Brasil planeja basear suas propostas no consenso firmado em Dubai: a transição para longe dos combustíveis fósseis. Corrêa do Lago citou como exemplo positivo o compromisso das 20 maiores petroleiras do mundo em reduzir em 80% as emissões de metano. Ele defende que iniciativas como essa não precisam aguardar novos acordos globais para serem implementadas.
O presidente da COP30 também ressaltou a importância do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Diferente de outros mecanismos, o fundo foi estruturado como uma coalizão autônoma entre países doadores e florestais, permitindo aportes diretos de nações como Brasil e Indonésia. A meta ambiciosa é alcançar US$ 120 bilhões, com um objetivo intermediário de US$ 10 bilhões até dezembro para garantir segurança aos investidores privados.
O futuro dos combustíveis sustentáveis
Gerard Ostheimer, CEO do Molecule Group, reforçou no evento que a atual crise energética global pode acelerar a adoção de combustíveis sustentáveis. Ele destacou o Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis (Belém 4x), que visa quadruplicar a produção de fontes como hidrogênio e combustível de aviação sustentável (SAF) até 2035. O Brasil, com seu histórico no setor de biocombustíveis, é visto como um dos principais protagonistas e beneficiários dessa transição.
A estratégia brasileira, conforme explicou Corrêa do Lago, busca promover uma “transição justa”. O objetivo é convencer os países de que a mudança para uma economia verde não é uma imposição, mas uma oportunidade real de desenvolvimento adaptada às realidades locais. O sucesso dessa transição, segundo o diplomata, depende de um esforço contínuo que transcende ciclos eleitorais, garantindo a solidez das políticas de Estado.
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Perguntas frequentes
Por que a economia é considerada essencial para o clima?
Segundo o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, a crise climática deixou de ser apenas um problema meteorológico ou ambiental para se tornar um desafio econômico, exigindo soluções que integrem o desenvolvimento das nações à mitigação de emissões.
O que é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre?
É uma coalizão autônoma entre países doadores e florestais, criada fora das negociações formais, que visa arrecadar até US$ 120 bilhões para a preservação de florestas, com aportes iniciais de países como Brasil e Indonésia.
Qual o foco do Brasil para a COP31?
O Brasil pretende basear suas propostas no consenso de Dubai sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis, focando em ações práticas, como a redução de emissões de metano pelas grandes petroleiras.
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