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De empacotador a CEO: a trajetória de Rogério Rodrigues à frente da Abecom

De empacotador a CEO: a trajetória de Rogério Rodrigues à frente da Abecom

De empacotador a CEO: a trajetória de Rogério Rodrigues à frente da Abecom

A trajetória de Rogério Rodrigues no mundo corporativo é marcada por uma evolução constante, iniciada muito antes de assumir o comando da Abecom. Aos 14 anos, ele deu seus primeiros passos na distribuidora de rolamentos fundada por seu pai, Antonio de Jesus Rodrigues, em 1963, no bairro do Brás, em São Paulo. Atuando como empacotador, Rogério teve a oportunidade de conhecer a operação da empresa em suas camadas mais fundamentais.

Nascido em 1972, Rogério construiu uma base acadêmica sólida para sustentar sua ascensão profissional. Após concluir o curso técnico de Mecânica na Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas em 1989, graduou-se em Administração de Empresas pela Universidade Paulista em 1995, complementando sua formação com uma pós-graduação em Gestão de Negócios na Fundação Getulio Vargas. Essa combinação de vivência prática no chão de fábrica e conhecimento teórico foi decisiva para sua transição à liderança.

A transição para a gestão e a sucessão familiar

O amadurecimento profissional de Rogério foi acelerado pela necessidade. A saída inesperada de um gerente que respondia diretamente a seu pai forçou o jovem a assumir novas responsabilidades ainda durante a faculdade. Ao longo dos anos, ele passou por praticamente todos os setores da empresa, desde o estoque e a função de motorista de entregas até a Gerência de Vendas. Em 2002, ele assumiu oficialmente o posto de CEO da Abecom.

O processo sucessório foi conduzido com rigor. Seu pai, falecido em 2018, impôs uma cultura de meritocracia, tratando o filho como funcionário antes de reconhecê-lo como sócio. Em 1998, Rogério iniciou a aquisição de 15% da participação de um sócio minoritário, um movimento que não apenas consolidou seu espaço na companhia, mas também o ensinou sobre compromissos financeiros e a visão de longo prazo necessária para gerir um negócio familiar.

Parceria estratégica e a nova governança

Com a expansão da empresa, que hoje conta com mais de 250 profissionais e oito unidades de negócios, Rogério percebeu que a liderança solitária não era sustentável. Em 2008, ele trouxe para a sociedade seu amigo de infância, Frederico Ripke. A parceria permitiu uma divisão mais clara de competências: enquanto Rogério manteve o foco comercial, Frederico assumiu a estrutura financeira e executiva.

Essa colaboração reforçou a convicção de Rogério de que liderar exige a capacidade de dividir decisões. Atualmente, a gestão da empresa é pautada pela atualização constante e pela análise de tendências macroeconômicas. O executivo defende que a competitividade no mercado industrial depende da disposição em questionar modelos antigos e adaptar a estratégia conforme as demandas do setor.

Humanização da liderança e o desafio das pistas

A filosofia de gestão de Rogério passou por uma transformação significativa. Influenciado por um modelo de comando mais rígido no início de sua carreira, ele evoluiu para uma liderança mais humana e colaborativa. A criação de uma área estruturada de Recursos Humanos foi um marco nessa mudança, permitindo que o foco deixasse de ser apenas a cobrança de resultados para incluir o desenvolvimento de novas lideranças.

Fora do ambiente corporativo, essa busca por superação se reflete em sua paixão pelo automobilismo. Desde 2020, Rogério compete em provas de longa duração, como a Endurance Brasil e as tradicionais Mil Milhas em Interlagos. Para o CEO, as pistas funcionam como um laboratório de gestão: a telemetria e a necessidade de tomar decisões estratégicas sob pressão extrema oferecem paralelos diretos com os desafios enfrentados diariamente no comando da Abecom.