Kassio Nunes Marques avalia retomar participação em julgamentos do Banco Master após eleições
O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), estuda a possibilidade de rever sua decisão de se afastar dos julgamentos relacionados ao relatório que envolve o Banco Master. O magistrado considera retomar sua participação nas votações sobre o caso, incluindo a análise de documentos que citam o empresário Daniel Vorcaro, logo após o término do período eleitoral.
A decisão de se ausentar da sessão realizada no último dia 15 de setembro foi justificada pelo ministro como uma medida pontual. Na ocasião, Nunes Marques argumentou que, na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sua participação em um julgamento com potencial impacto no pleito poderia gerar interpretações sobre a neutralidade do cargo de árbitro da disputa eleitoral.
Motivações e contexto do afastamento
Interlocutores próximos ao ministro afirmam que o afastamento foi motivado pelo receio de que o debate fosse instrumentalizado por diferentes correntes políticas durante a campanha. Para o magistrado, a posição de comando na corte eleitoral impõe um peso simbólico diferenciado em relação aos demais integrantes do STF, o que o levou a optar pela cautela naquele momento específico.
O anúncio da decisão ocorreu logo no início dos trabalhos da sessão. Nunes Marques destacou que o cenário político atual, marcado por intensas discussões sobre o Supremo, exigia uma postura que preservasse a integridade do processo eleitoral. Além de presidir o TSE, o ministro integra a comissão responsável por analisar processos de propaganda eleitoral na corte, ao lado de André Mendonça e Estela Aranha.
Defesa de isenção e próximos passos
A movimentação de Nunes Marques também responde a questionamentos surgidos após diálogos citarem pagamentos ao seu filho, o advogado Kevin Marques. Durante a sessão do dia 15, o ministro refutou qualquer envolvimento: “Meu filho nunca prestou serviço ao banco e nem foi remunerado pelo banco. Isso é fato, meu sigilo já foi quebrado”, afirmou. Ele também negou ter mantido qualquer contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O magistrado tem rebatido a tese de que seu afastamento poderia gerar nulidades processuais que beneficiariam os envolvidos no escândalo. Segundo sua avaliação, a declaração de impedimento foi baseada em critérios objetivos e transitórios. A expectativa é que, passado o pleito de outubro, o ministro retome a análise dos processos de forma independente, sem as restrições impostas pelo calendário eleitoral.
A ausência de Nunes Marques na sessão anterior acabou por enfraquecer a posição do ministro André Mendonça, que vinha atuando em sintonia com o relator da investigação. A retomada da participação de Nunes Marques pode alterar o equilíbrio das votações futuras sobre o caso.

