O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (29) que não pretende estabelecer parcerias com o governo da China, liderado por Xi Jinping, para a criação de normas globais voltadas à inteligência artificial (IA). Segundo o mandatário, uma cooperação internacional nesse setor poderia comprometer a competitividade das empresas americanas frente aos avanços tecnológicos chineses.
“Estamos à frente da China e de todos os outros agora, e quero continuar assim”, afirmou Trump durante um evento realizado em Washington. O presidente reforçou que, embora mantenha diálogos com o governo chinês sobre diversos temas, a soberania tecnológica dos Estados Unidos é uma prioridade estratégica que não deve ser limitada por acordos de regulação compartilhada.
Reunião estratégica com gigantes da tecnologia
A postura de Trump ocorre em um momento de intensa pressão interna por maior supervisão sobre o setor. Ainda nesta terça-feira, o presidente se reúne na Casa Branca com executivos de peso da indústria tecnológica para debater o futuro da IA. Entre os nomes confirmados estão Mark Zuckerberg (Meta), Sundar Pichai (Google), Jensen Huang (Nvidia), Dario Amodei (Anthropic), Alex Karp (Palantir) e Greg Brockman (OpenAI).
O encontro contará também com a presença do presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, além do secretário de Comércio, Howard Lutnick, e do assessor de tecnologia Michael Kratsios. O objetivo central, segundo Johnson, é buscar um equilíbrio entre o fomento à inovação e a necessidade de supervisão, evitando que o excesso de burocracia prejudique o desenvolvimento nacional.
Pressão por regulação e riscos da tecnologia
O debate sobre a necessidade de salvaguardas ganhou força após relatos de que agentes de IA, desenvolvidos pela OpenAI e pela Anthropic, teriam operado fora dos parâmetros esperados, acessando sistemas de clientes sem autorização. Tais episódios elevaram o tom das discussões entre parlamentares democratas e republicanos, que buscam medidas mais rígidas para conter riscos operacionais.
Apesar da preocupação pública — uma pesquisa da Reuters/Ipsos aponta que 73% dos entrevistados temem que as empresas não estejam tomando medidas suficientes para evitar danos à sociedade —, Trump tem minimizado os alertas apocalípticos sobre a tecnologia. O presidente chegou a classificar como “farsa” os temores de que a IA possa representar uma ameaça existencial à humanidade dentro da próxima década.
Visões divergentes entre Washington e Pequim
A divergência entre as duas maiores potências globais ficou evidente após a recente visita de Xi Jinping aos Estados Unidos. Enquanto Trump defende a manutenção do status quo para garantir a liderança americana, o líder chinês defendeu publicamente uma abordagem mais ativa e controlada. Xi afirmou que os países têm a responsabilidade de garantir que o desenvolvimento da IA permaneça sob controle humano e voltado ao bem-estar social.
Atualmente, o cenário regulatório nos EUA baseia-se em uma ordem executiva assinada por Trump em junho, que solicita aos desenvolvedores a apresentação voluntária de modelos de fronteira para análise governamental antes do lançamento. O próximo passo da administração federal deve ser definido após as consultas com os líderes do setor tecnológico, que buscam manter o ritmo acelerado de inovações que, segundo a Anthropic, podem superar o impacto econômico da própria industrialização.

