Nova potência no setor educacional
A Yduqs, controladora de instituições como Estácio e Ibmec, e a Afya formalizaram um acordo de fusão, consolidando a criação de uma nova gigante no mercado de ensino superior privado brasileiro. A união, que vinha sendo negociada desde o final de agosto, visa integrar as operações das duas companhias para ganhar escala e competitividade, especialmente no segmento de medicina.
O movimento estratégico busca unir a capilaridade da Yduqs com a expertise da Afya no setor de saúde. Juntas, as empresas passam a somar um valor de mercado superior a R$ 9,2 bilhões, sendo R$ 2,98 bilhões referentes à Yduqs e cerca de R$ 6,2 bilhões (US$ 1,2 bilhão) à Afya.
Foco estratégico no mercado de medicina
O setor de medicina é considerado o segmento premium do ensino superior privado, apresentando margens e tíquetes médios significativamente superiores aos cursos tradicionais. Enquanto a mensalidade média nos cursos presenciais da Yduqs gira em torno de R$ 973, o valor para estudantes de medicina na Idomed, unidade do grupo, ultrapassa os R$ 13 mil.
A Afya traz para a operação uma estrutura robusta, composta por 38 instituições focadas em saúde, das quais 32 oferecem cursos de medicina. Com a fusão, a nova entidade consolida uma base de aproximadamente 38 mil alunos na área médica, com uma oferta próxima a 5,9 mil vagas anuais, tornando-se uma referência absoluta no ensino médico no país.
Desempenho financeiro e histórico de expansão
Os resultados financeiros recentes das companhias mostram cenários distintos. A Yduqs reportou um lucro líquido de R$ 14 milhões no segundo trimestre deste ano, refletindo uma queda de 54,2% em comparação ao mesmo período de 2026. Já a Afya, que possui capital aberto na Bolsa de Nova York, apresentou um lucro líquido de R$ 463 milhões no primeiro semestre, um crescimento de 6,8% frente aos seis meses iniciais de 2025.
Esta não é a primeira vez que a Yduqs busca grandes movimentações de mercado. Em 2019, a empresa adquiriu a Adtalem Brasil, proprietária do Ibmec, por R$ 1,92 bilhão. O histórico da companhia também inclui uma tentativa de fusão com a Kroton (atual Cogna) em 2016, avaliada em R$ 5,5 bilhões, que acabou sendo vetada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no ano seguinte.
Impacto no mercado
Especialistas do setor, como Paulo Presse, da Hoper Educação, apontam que a união entre Afya e Yduqs responde a uma necessidade de escala diante da crescente concorrência no ensino de medicina. A complementariedade entre as redes permite que o grupo otimize custos operacionais e amplie sua presença tanto na graduação quanto na pós-graduação e educação continuada em saúde.

