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Reforma tributária coloca em xeque equilíbrio de contratos no saneamento básico

Reforma tributária coloca em xeque equilíbrio de contratos no saneamento básico

Reforma tributária coloca em xeque equilíbrio de contratos no saneamento básico

O desafio da transição tributária no saneamento

A entrada em vigor da reforma tributária, consolidada pela Emenda Constitucional 132/2023 e pela Lei Complementar 214, de 16 de janeiro de 2025, impõe um teste crítico ao setor de saneamento básico no Brasil. Com a transição gradual para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) a partir de 2027, o setor enfrenta uma mudança que altera profundamente sua estrutura econômico-financeira.

A transição não é neutra. Atualmente, as empresas do setor contribuem com PIS/Cofins à alíquota de 9,25%. Com a nova sistemática, as projeções indicam uma carga tributária efetiva em torno de 27%, o que representa um incremento de aproximadamente 18% nos custos. Esse cenário coloca em risco o equilíbrio dos contratos de abastecimento de água e esgotamento sanitário, essenciais para a universalização dos serviços prevista pelo Novo Marco Legal.

Incertezas regulatórias e o papel da ANA

O setor vive um momento de espera regulatória. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) ainda trabalha na conclusão da Consulta Pública 03/2026, que visa disciplinar a revisão tarifária diante das mudanças tributárias. Embora a minuta preveja mecanismos como reequilíbrios cautelares, a eficácia dessas medidas depende diretamente da capacidade operacional das agências reguladoras infranacionais.

Historicamente, essas entidades apresentam assimetrias de estrutura e pessoal, o que gera preocupação quanto à agilidade necessária para processar as revisões contratuais. Sem uma definição precisa sobre a alíquota efetiva e a sistemática de créditos sobre insumos, as empresas operam sob um cenário de incerteza que dificulta o planejamento de investimentos a longo prazo.

Impactos econômicos e o risco ao usuário final

O aumento da carga tributária exige soluções complexas para evitar que a conta seja repassada integralmente ao consumidor. Uma das alternativas discutidas é o abatimento de valores de outorga devidos aos entes concedentes. Contudo, essa opção enfrenta resistência política, já que reduziria a arrecadação direta dos municípios e estados, além de não ser aplicável a todos os contratos vigentes.

Outras saídas, como a redução de investimentos obrigatórios ou a flexibilização de metas de desempenho, colidem diretamente com o interesse público e o cronograma de universalização. Por outro lado, a majoração das tarifas esbarra na limitada capacidade de pagamento das populações mais vulneráveis. O grande temor do setor é que, sem uma solução equilibrada, o custo da transição tributária acabe por comprometer a continuidade dos serviços e o acesso da população à água tratada e ao saneamento.